A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) foi o palco escolhido pela China para solicitar a suspensão do bloqueio imposto pelos Estados Unidos a Cuba. No último sábado (26), o vice-presidente chinês, Han Zheng, fez um apelo por um término imediato das ameaças militares direcionadas à ilha e pelo levantamento total das sanções que intensificaram a crise na rede elétrica cubana.
Embora não tenha mencionado Washington de forma direta, referiu-se ao “país relevante”, deixando claro a quem se dirigia. “A China convoca o país em questão a interromper imediatamente as ameaças de uso da força contra Cuba e a suspender integralmente o bloqueio e as sanções impostas”, disse Han.
A cobrança surgiu após um evento na Casa Branca
Este pronunciamento contrastou com a cordialidade demonstrada durante uma reunião anterior em Washington.
O presidente Donald Trump recebeu o líder chinês, Xi Jinping, com honras militares e um luxuoso jantar de Estado.
No dia seguinte, um limite para essa relação foi declarado. O embaixador dos Estados Unidos na China mencionou que Trump alertou Xi, durante os encontros na capital americana, sobre qualquer tipo de apoio à República Islâmica do Irã e que recebeu garantias de que Pequim não faria tal apoio.
A advertência surgiu após informações sobre possíveis entregas de lançadores portáteis de defesa antiaérea pela China ao Irã e relatos de que Teerã encontrou formas de comercializar petróleo com auxílio chinês, apesar das sanções.
Impacto humano do bloqueio em Cuba
No início deste mês, Cuba enfrentou um colapso completo em sua rede elétrica.
Milhões ficaram sem eletricidade enquanto os EUA intensificam suas pressões que impedem a chegada de petróleo à ilha.
O sistema elétrico cubano, já desgastado, lida há anos com escassez de combustível e infraestrutura deteriorada. O bloqueio petrolífero instaurado pelos Estados Unidos em janeiro de 2026 intensificou as interrupções no fornecimento de energia e passou a causar apagões frequentes.
A defesa da soberania iraniana
<pDurante seu discurso, Han também estendeu seu apoio ao Irã. “A China acredita que a soberania e segurança dos países do Oriente Médio, incluindo os do Golfo Pérsico, devem ser respeitadas”, afirmou ele.
O conflito no Irã começou em fevereiro de 2026 com ataques coordenados entre Estados Unidos e Israel.
Desde então, a guerra e as sanções têm restringido ainda mais o espaço soberano de Teerã.
Isonomia nas relações internacionais
Han posicionou a China como uma parceira confiável para nações em desenvolvimento. “Os países grandes têm responsabilidades especiais na proteção da paz e segurança internacionais e devem ser exemplos no cumprimento das normas, na defesa do Estado de direito e na prática do que é justo”, destacou.
“A China acredita que todos os países, independentemente do tamanho, são iguais na comunidade internacional e que os assuntos globais devem ser discutidos coletivamente”, complementou.
Tensão registrada, decisão aguardando
A semana evidenciou dois lados distintos da disputa entre as principais economias mundiais. Na Casa Branca, Trump mostrou harmonia com Xi enquanto exigia distância em relação ao Irã.
Por outro lado, na ONU, Han apresentou uma demanda que toca diretamente na política externa americana.
O pedido para encerrar o bloqueio eleva a pressão diplomática pela retomada do fornecimento de petróleo a Cuba, onde milhões ainda enfrentam escuridão após o colapso total da rede elétrica.
A próxima ação agora recai sobre Trump. Enquanto não há uma decisão clara, falta à ilha o combustível necessário para restaurar sua energia.

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