Na segunda-feira, dia 26, a Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU sobre o Território Palestino Ocupado revelou em seu relatório que as forças e autoridades israelenses perpetraram crimes contra a humanidade na Cisjordânia ocupada. Entre as acusações estão extermínio, tortura, estupro e diversas formas de violência sexual, além de atos de perseguição. Este é o primeiro momento em que a comissão faz uma acusação tão direta relacionada à situação na Cisjordânia.
Além disso, o documento destaca que Israel ainda está cometendo genocídio na Faixa de Gaza, mesmo com o cessar-fogo em vigor. O relatório será apresentado à Assembleia Geral da ONU em Nova York e foi divulgado um dia antes das eleições gerais israelenses, que ocorreram nesta terça-feira, 27.
Ataque “generalizado e sistemático”
A comissão aponta que as operações militares realizadas por Israel, acompanhadas pela constante violência exercida por colonos, caracterizam um “ataque generalizado e sistemático” contra civis palestinos. Os investigadores também afirmaram que as autoridades israelenses demonstraram a intenção de aplicar punições coletivas aos palestinos após o ataque do Hamas ocorrido em 7 de outubro de 2023.
O presidente da comissão, Srinivasan Muralidhar, jurista indiano, informou que as operações militares iniciadas em janeiro de 2025 resultaram no deslocamento de 34.176 palestinos até agosto de 2026.
O relatório critica ainda a Autoridade Palestina por não realizar investigações rápidas, eficazes e imparciais sobre os assassinatos ocorridos nas áreas sob sua administração.
Reação de Israel
A missão israelense em Genebra rejeitou as alegações contidas no relatório. Em uma declaração oficial, descreveu o documento como parte de uma “campanha de desinformação destinada a demonizar o Estado de Israel”, solicitando também a dissolução da comissão responsável pela investigação.

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