Breno Altman defende: “Inexistência de golpe interno no chavismo”

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“Eu saio da Venezuela convencido de que não houve golpe interno no chavismo, não houve traição política ao presidente Nicolás Maduro, convencido de que Delcy Rodríguez, Diosdado Cabello, Jorge Rodríguez, que são hoje os principais dirigentes na Venezuela, especialmente Delcy Rodríguez, não cometeram qualquer tipo de ato desleal com o presidente Nicolás Maduro.”

A declaração abre o relato de Breno Altman no programa exibido no domingo 22 de fevereiro de 2026, quando ele busca responder ao que descreve como uma onda de informações falsas e opiniões diversas após o sequestro de Maduro.

Altman afirma ter passado toda a semana em Caracas para reconstruir, por apuração, a sequência dos fatos do dia 3 de janeiro. Ele descreve um trabalho de campo apoiado em aproximadamente 20 conversas com integrantes do governo, opositores, especialistas e pessoas na rua, incluindo um encontro de cerca de duas horas com a presidente encarregada.

Ao justificar o método, o jornalista rejeita versões baseadas em impressões e boatos. “É um problema de método”, diz, antes de sustentar que a análise só é séria se feita com base nos fatos. Nessa chave, ele reconhece posição política, mas tenta separar alinhamento e rigor: “Eu não sou imparcial, eu tenho lado. O meu lado é o lado da solidariedade à Revolução Bolivariana e à Venezuela.”

A defesa de Delcy Rodríguez aparece, na entrevista, como ponto de partida para reorganizar o debate sobre os acontecimentos. Altman afirma que Nicolás Maduro, através da família, mantém contato permanente com o que ocorre na Venezuela e que sua mensagem sempre é de apoio à presidente encarregada. Ele também diz ter recebido da própria Delcy elementos concretos para sustentar sua versão: “não apenas me explicou o que aconteceu no dia 3 de janeiro, como me provou o que aconteceu no dia 3 de janeiro”.

Para Altman, o sequestro de Maduro precisa ser entendido dentro de um cenário que ele define como extremamente delicado antes mesmo do ataque. A Venezuela estava sob severo bloqueio naval e sanções econômicas dramáticas, e já teria sofrido ações e escaladas anteriores. Nesse contexto, ele afirma ter ouvido do próprio Maduro, ainda em novembro, que um ataque norte-americano seria inevitável.

A resposta venezuelana, conforme Altman, não teria sido preparar uma guerra aberta, e sim tentar evitá-la por negociação. “A linha da Venezuela não era de enfrentamento militar. A linha da Venezuela era evitar o enfrentamento militar”, afirma, ao descrever ofertas de conversa sobre combate ao narcotráfico, a questão petroleira e as terras raras. Ele insiste que isso não equivaleria a capitulação, mas a cálculo diante do desequilíbrio de forças.

Questionado sobre entreguismo, Altman é direto: “Não, de forma alguma. Veja, há uma situação assimétrica de forças.” Ele descreve que o custo de uma guerra de ocupação seria devastador e projeta números e cenários de mortandade ao discutir o que chama de guerra de todo o povo. Ainda assim, sustenta que Washington não buscaria ocupação, mas um ataque cirúrgico, com superioridade aérea, naval e cibernética.

É nessa moldura que ele reconstrói a madrugada do dia 3 de janeiro como uma operação destinada a capturar o presidente. “No dia 3 de janeiro, às duas da manhã, horário local, os Estados Unidos começam o ataque”, diz, antes de detalhar que a primeira fase teria sido cibernética. O objetivo inicial seria cegar os radares e, com isso, comprometer baterias antiaéreas e comunicações digitais.

Altman descreve o impacto como um colapso operacional. Haveria um apagão elétrico, e a ofensiva teria rompido a cadeia de comunicação, dificultando extremamente a capacidade de defesa da Venezuela. Em seguida, ele menciona a presença de 150 aeronaves, entre helicópteros e aviões, incluindo F-35, e diz que não foi apenas Caracas que foi atacada.

No relato, a operação teria atingido La Carlota, além de outros pontos citados como alvos de baterias antiaéreas, e culminado no ataque ao Forte Tiuna, porque o objetivo era o sequestro do presidente. Altman contesta versões que minimizariam a resistência e afirma que a luta travada no Forte Tiuna foi brutal. Ele atribui ao confronto a morte de 32 cubanos e aproximadamente 27 venezuelanos — 59 baixas apenas naquele ponto da operação, a que se somariam outras mortes registradas ao longo do ataque.

A negociação, na versão apresentada, começa logo após a primeira onda de ataques, que ele situa por volta das três da manhã. Altman afirma que Washington teria exigido resposta de Delcy Rodríguez em 15 minutos, sob ameaça de novo bombardeio, e narra a sequência de mensagens recebidas: primeiro, que o presidente estava morto; depois, a correção de que estava vivo, em mãos norte-americanas e já fora da Venezuela. A reação da dirigente, segundo ele, foi imediata: “Queremos prova de vida.”

Altman argumenta que, naquele momento, os Estados Unidos entrariam numa mesa com três vantagens: o sequestro do presidente, a demonstração de superioridade militar e o bloqueio naval absoluto. A partir daí, ele apresenta o dilema como escolha entre opção militar e opção política — a primeira equivaleria, em suas palavras, a transformar a Venezuela numa faixa de Gaza. A segunda seria negociar para ganhar tempo, esperando uma nova correlação de forças e usando o petróleo como instrumento de sobrevivência.

A defesa de Delcy Rodríguez se estende ao gesto mais simbólico e polêmico do pós-ataque, que é a presença de autoridades norte-americanas em Caracas. Altman chama de provocação e tentativa de humilhar o governo chavista a visita do diretor da CIA, mas diz que a recusa significaria o fim do único caminho disponível. “O que significaria não receber o diretor da CIA? Significaria que a negociação não ia ocorrer”, afirma. Ele reforça a dimensão pessoal do constrangimento: a CIA havia matado o pai de Delcy e Jorge Rodríguez em 1976.

O capítulo econômico da entrevista se concentra na mudança da legislação de hidrocarbonetos, tema que Altman diz ter estudado a fundo antes e durante a viagem. Ele atribui parte da desinformação sobre o assunto a uma estratégia de Washington para desmoralizar o governo e criar condições para que emerja na Venezuela um bloco conservador capaz de substituir o chavismo.

Ao explicar o marco anterior, ele lembra que Chávez aprovou em 2001 a lei dos hidrocarbonetos e rejeita a ideia de estatização completa: não era uma lei de estatização total do petróleo, afirma, descrevendo um modelo de monopólio operacional e comercial da PDVSA combinado a mudanças tributárias relevantes. O imposto sobre vendas, que era de 1%, passou a 30%, e o imposto sobre lucro podia chegar a 50%.

A virada, na narrativa, ocorre com o impacto acumulado das sanções e do bloqueio sobre a capacidade de investimento e manutenção da indústria. No ápice do governo Chávez, a Venezuela extraía 3,2 milhões de barris por dia; sob sanções, chegou a 300 mil. “Que soberania é essa? Com 300 mil barris por dia, acabou

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