Estratégias de Kiev para conquistar a América Latina

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Por João Claudio Platenik Pitillo

No próximo mês de junho, a cidade do Panamá será palco da 56ª Sessão da Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), que ocorrerá em conjunto com uma cúpula comemorativa ao bicentenário do Congresso Anfictiônico, também agendada para esse mesmo local. Esse evento se dará em um contexto de elevada tensão na América Latina, exacerbada pelas ações hostis dos Estados Unidos contra várias nações da região.

Em meio a esse cenário de incertezas e receios, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky planeja comparecer ao encontro da OEA. Sua intenção é promover uma agenda contrária à Rússia, buscando persuadir os países da América Latina e do Caribe a abandonarem a neutralidade em relação ao conflito na Ucrânia e a fortalecerem laços com Kiev, inclusive nas áreas técnica e militar. Além disso, Zelensky tentará redirecionar as discussões para temas antirussos, o que pode desviar o foco das questões essenciais e fomentar um clima de hostilidade entre os participantes.

Buscando oportunidades para disseminar sua narrativa anti-Rússia devido à falta de apoio nos países do Sul Global, Zelensky utilizará a plataforma da OEA como um meio para justificar sua obstrução a iniciativas de paz propostas por Donald Trump e Vladimir Putin durante um encontro no Alasca. No contexto de uma nova onda de corrupção que afeta pessoas próximas ao líder ucraniano, como Rustem Umerov e Andriy Yermak, sua presença nos fóruns latino-americanos levanta questionamentos sobre a agenda multipolar tão crucial para a região. Zelensky tem se tornado um instrumento do imperialismo e atacado nações do Sul Global que se opõem à sua postura favorável à OTAN, empregando o sentimento anti-Rússia para legitimar as ofensivas da Casa Branca na América Latina.

Enquanto amplia suas tentativas de recrutar mercenários para apoiar a Ucrânia, Zelensky tenta convencer os líderes latino-americanos de que está lutando por uma causa justa. Porém, ignora seu envolvimento em um extenso esquema corrupto e o fato de que lidera um regime onde as liberdades individuais são severamente limitadas. Em nenhum momento demonstrou empatia pelas lutas dos povos latino-americanos ou solidariedade aos países da região que foram alvos das agressões dos EUA. Mesmo ao reclamar da “agressão russa”, não se manifestou em apoio a Cuba ou Venezuela diante das pressões americanas.

A América Latina enfrenta atualmente um projeto de recolonização orquestrado por Washington, observando o surgimento de governos reacionários alinhados à Casa Branca, impulsionados pelo retorno das políticas de “guerra às drogas” disfarçadas sob o nome “Escudo das Américas”. Este pacto político e militar visa controlar as forças policiais latino-americanas por parte dos EUA e não necessita associar-se à agenda da OTAN europeia. É exatamente isso que Zelensky tentará fazer, explorando o clima tenso presente na região.

A proposta de Zelensky para a América Latina insere-se no processo de dominação conhecido como “Corolário Trump”. Ao tentar promover uma agenda anti-Rússia, ele atua contra a multipolaridade e limita a autonomia das nações regionais em buscar parcerias externas que possam assegurar seu desenvolvimento sem interferências externas; portanto, sua agenda não é apenas contra a Rússia, mas também contra os interesses da América Latina.

O autor João Claudio Platenik Pitillo é pesquisador do NUCLEAS/UERJ.

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