DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO
A Polícia Federal anunciou oficialmente a saída de Eduardo Bolsonaro de seus quadros. A demissão do ex-deputado federal foi registrada em uma portaria do Ministério da Justiça e Segurança Pública, divulgada no Diário Oficial da União nesta segunda-feira (21). O documento indica que ele se ausentou do trabalho por mais de 30 dias sem apresentar qualquer justificativa. A decisão foi assinada pelo ministro Wellington Lima e Silva na última sexta-feira (18).
Eduardo Bolsonaro era escrivão da PF desde 2010, mas estava afastado das suas atividades desde que assumiu um cargo na Câmara dos Deputados. Esse afastamento foi considerado caducado em dezembro de 2025, quando a Mesa Diretora da Câmara declarou a perda de seu mandato devido ao número elevado de faltas. Com a perda do mandato, a licença que justificava sua ausência também perdeu validade; segundo a investigação administrativa, ele deveria ter retornado à Polícia Federal, o que não ocorreu.
Do aeroporto ao green card
O abandono de cargo marca o desfecho de uma trajetória já definida. Eduardo deixou o Brasil no início de 2025, viajando para os Estados Unidos sob alegações de perseguição política e jurídica. Em junho de 2026, o Supremo Tribunal Federal o sentenciou a quatro anos e dois meses de prisão por tentar influenciar julgamentos relacionados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, utilizando pressões internacionais — incluindo ações junto ao governo dos EUA. Além da pena privativa de liberdade, ele ficou inelegível por um período de 12 anos. Em julho, recebeu um green card do ex-presidente Donald Trump, garantindo residência e trabalho permanentes nos EUA.
Dessa forma, enquanto deveria estar cumprindo suas obrigações na Polícia Federal, Eduardo se encontrava estabelecido nos Estados Unidos com o apoio do mesmo presidente responsável pelas sanções contra a economia brasileira — sanções que resultaram em sua condenação no STF.
A relação com os traidores da pátria
A demissão ocorreu no mesmo dia em que Luiz Inácio Lula da Silva deu início ao debate geral da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, afirmando que “o Brasil não pertence ao quintal de ninguém”. No dia anterior, em uma entrevista exclusiva à CNN Internacional, o presidente rotulou como “traidores da pátria” aqueles que buscam apoio de potências estrangeiras contra seu próprio país — uma descrição que se aplica diretamente ao caso de Eduardo Bolsonaro, cuja situação se transformou em uma condenação política com efeitos jurídicos.
A coincidência das datas é notável: enquanto o Brasil defendia sua soberania na ONU afirmando que “não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas”, o governo brasileiro formalizava, no Diário Oficial, a ruptura com um servidor que solicitou sanções dos Estados Unidos contra a Justiça brasileira.
Implicações da demissão
A portaria finaliza oficialmente a ligação de Eduardo Bolsonaro com a Polícia Federal no âmbito administrativo, independentemente do resultado criminal relacionado à sua condenação no STF. O abandono do cargo é considerado uma infração funcional conforme as normas dos servidores públicos federais e foi investigado através de procedimentos administrativos próprios — e sua ausência não justificada por mais de 30 dias teve um peso maior do que qualquer argumento político apresentado.
Agora, o ex-escrivão conta apenas com o green card concedido por Trump nos EUA — enquanto no Brasil enfrenta uma condenação judicial, inelegibilidade por 12 anos e uma demissão formalizada em Diário Oficial.
Foto: Eduardo Bolsonaro durante sessão na Câmara dos Deputados (Bruno Spada/Câmara dos Deputados). Informações: Diário do Nordeste/PontoPoder e Diário Oficial da União.

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