A guerra com o Irã impulsiona os preços do petróleo acima de US$ 100 por barril. Segundo relatos, os EUA estão entre os três países que, até o momento, apoiam a medida desencadeada pela guerra no Oriente Médio
Segundo informações, ministros das Finanças do G7 preparam discussão sobre a liberação de reservas emergenciais de petróleo devido à guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã ter elevado o preço do petróleo bruto acima de US$ 100 pela primeira vez desde 2022.
Conforme reportado pelo Financial Times, os ministros irão debater a liberação das reservas em uma chamada coordenada pela Agência Internacional de Energia (AIE).
A reunião de emergência terá como pauta o impacto da guerra com o Irã, de acordo com fontes não identificadas citadas pelo Financial Times.
Até o momento, três países do G7, incluindo os EUA, demonstraram apoio à liberação das reservas de emergência, mantidas pelos 32 países membros da AIE em todo o mundo.
A AIE possui reservas estratégicas de petróleo como parte de um sistema de emergência criado para auxiliar os países diante de crises nos preços do petróleo. Autoridades americanas sugerem que uma liberação conjunta de 300 a 400 milhões de barris seria apropriada, representando cerca de 25% a 35% dos 1,2 bilhão de barris em reserva.
Grupos de coordenação de abastecimento de petróleo e gás da UE também se reunirão para monitorar o impacto do conflito no fornecimento de petróleo do bloco. Os países da UE devem manter reservas de petróleo suficientes para 90 dias de consumo.
No Reino Unido, o preço do gás natural para o mês seguinte teve aumento de 19%, chegando a 163 pence por termia na manhã de segunda-feira. O preço de referência para o mês seguinte na Europa continental subiu 16%, atingindo 62 euros (54 libras) por megawatt-hora.
Os preços do petróleo subiram e as bolsas de valores na Ásia, Reino Unido e Europa continental apresentaram queda. O petróleo Brent atingiu seu nível mais alto em quatro anos, desencadeando vendas nas bolsas de valores.
Os índices FTSE 100 do Reino Unido, Dax da Alemanha e Cac 40 da França registraram quedas, assim como o Stoxx Europe 600, que anulou os ganhos acumulados no ano.
Além disso, cinco instalações de energia em Teerã e arredores foram atingidas por ataques, e a companhia petrolífera nacional do Kuwait anunciou um corte preventivo na produção em resposta aos ataques retaliatórios do Irã.
O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto dos navios-tanque de petróleo e gás, está fechado há uma semana.
O petróleo Brent chegou a subir 29%, alcançando US$ 119,50 o barril no início do pregão de segunda-feira. Após a divulgação da reunião do G7, o preço recuou para US$ 106,73, uma alta de 15%.
Apesar das promessas de Donald Trump para reduzir a inflação e os custos de energia, ele considera o aumento nos preços do petróleo como um resultado aceitável da guerra EUA-Israel contra o Irã.
O regime iraniano alertou que os ataques conjuntos dos EUA e Israel poderiam elevar ainda mais os preços do petróleo.
O sistema de reservas de petróleo de emergência foi criado em 1974 como parte da formação da Agência Internacional de Energia (AIE) após o embargo de petróleo árabe, que gerou aumento nos preços do petróleo bruto e crise de combustíveis no Ocidente.
A AIE coordenou cinco liberações coletivas das reservas desde sua criação, incluindo as duas últimas em resposta à invasão da Ucrânia pela Rússia.
Por Lauren Almeida
Artigo originalmente publicado por The Guardian em 09/03/2026
Fonte: O Cafezinho
