Canadá reage com tarifas de 50% sobre produtos dos EUA em resposta a medidas protecionistas

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Mark Carney, o primeiro-ministro do Canadá, anunciou que, a partir de 8 de setembro, o governo implementará tarifas retaliatórias sobre importações dos Estados Unidos em diversos setores, como aço, produtos lácteos, eletrodomésticos, equipamentos agrícolas, celulose, papel e eletrônicos. Essa ação é uma resposta à imposição de uma tarifa adicional de 50% por Donald Trump sobre aproximadamente US$ 20 bilhões em produtos canadenses, que inclui vinhos, móveis, laticínios, cimento, vestuário, varas de pesca e equipamentos de hóquei. Na prática, essa tarifa resulta em um aumento significativo no custo na fronteira; por exemplo, uma carga de US$ 1.000 em mercadorias sujeitas a essa taxa pode passar a custar US$ 1.500 antes de considerar frete e outros custos associados ao varejo. Esse encarecimento pode impactar as compras de móveis, vinhos e produtos diversos em ambos os lados da fronteira.

Acordo continental sob ameaça

Um dos aspectos mais preocupantes da decisão de Trump é que as novas tarifas se aplicam a produtos que estão dentro das normas do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA). Ao anunciar as medidas em julho, a Casa Branca deixou claro que as tarifas da Seção 338 seriam válidas para bens cobertos independentemente de sua origem segundo o acordo regional. Essa mudança altera significativamente a dinâmica da disputa comercial. O USMCA deveria proteger a maior parte do comércio regional contra aumentos tarifários inesperados; no entanto, Trump utilizou uma legislação de 1930 para implementar uma sobretaxa de 50%, transformando o acesso ao mercado americano em um instrumento estratégico de pressão.

Em resposta, Carney rejeitou o acordo proposto por Washington e decidiu suspender as negociações, convocando os negociadores canadenses de volta a Ottawa. Durante sua fala no Parlamento, ele destacou que o Canadá reagirá dólar por dólar para salvaguardar os trabalhadores, agricultores, famílias e empresas do país.

Retaliação busca pressionar Trump

A medida adotada pelo Canadá não elimina os custos imediatos envolvidos. Ela visa gerar custos políticos e econômicos nos Estados Unidos para forçar Trump a reconsiderar sua postura antes que as tarifas se consolidem nos preços finais enfrentados por consumidores e empresas.

Washington argumenta que suas ações são uma resposta a práticas canadenses consideradas discriminatórias contra exportações americanas, especialmente nas áreas de veículos, bebidas alcoólicas e laticínios. Embora essa seja uma crítica válida sob a perspectiva americana, isso não diminui o impacto real da decisão canadense em aplicar uma tarifa de 50% também sobre produtos previamente protegidos pelo pacto continental.

Nesta terça-feira (25), o governo canadense informou aos líderes provinciais e territoriais que as novas tarifas entrarão em vigor no dia 8 de setembro. Além disso, anunciou que está elaborando um pacote de apoio destinado a garantir liquidez para empresas locais, proteger os trabalhadores e aumentar a competitividade da economia canadense. Enquanto isso não ocorrer, a disputa permanece acirrada. Caso as retaliações impostas por Carney não levem Trump a reabrir as negociações, o comércio entre os dois países poderá enfrentar sérios desafios em setembro devido ao aumento nos preços dos bens essenciais e ao comprometimento das bases econômicas da integração norte-americana.

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