81ª ASSEMBLEIA GERAL DA ONU
Na terça-feira (22), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugurou, pela décima vez, o debate geral da Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York, referindo-se a este momento como “o mais crítico” desde a criação da entidade. A seguir, apresentamos o discurso na íntegra, conforme divulgado pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República:
Discurso do Presidente Lula na abertura da 81ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas
Saúdo o Presidente da Assembleia Geral, Embaixador Khalilur Rahman, de Bangladesh.
Meu respeito e consideração a todos os Chefes de Estado e de Governo, bem como às delegadas e delegados que estão presentes.
Dirijo uma atenção especial ao Secretário-Geral das Nações Unidas.
António Guterres tem sido um observador constante dos crescentes abusos cometidos pelas superpotências durante seus mandatos.
Senhor Presidente,
Hoje é a décima vez que tenho a honra de abrir o Debate Geral desta Assembleia.
A primeira vez que ocupei este espaço foi em 2003, e hoje vivemos o momento mais delicado para as Nações Unidas.
A indignação é o sentimento que me move neste instante.
A ONU falha em cumprir uma de suas funções mais essenciais: acabar com o flagelo das guerras. Sua credibilidade atinge níveis alarmantes e sua capacidade de proteger os vulneráveis – aqueles sem exército ou arsenal – está drasticamente reduzida.
Todos nós estamos à mercê do imobilismo do Conselho de Segurança, que não cumpre seu papel. Já em 1946, durante a primeira sessão desta Assembleia, o Brasil alertava sobre os altos custos do direito de veto. Esse vício original da Carta da ONU concedeu às grandes potências um privilégio nefasto.
A isso se soma uma crise de liderança profunda. O ano de 2025 registrou a maior quantidade de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial.
Trilhões de dólares estão sendo direcionados para uma nova corrida armamentista, enquanto tensões geopolíticas correm risco de transformar disputas regionais em grandes conflagrações globais.
Aqueles que têm poder sobre decisões cruciais devem agir com responsabilidade e urgência. Os líderes das nações que fazem parte do Conselho de Segurança precisam se reunir com essa finalidade.
Não ignoro as realidades do jogo político.
No entanto, as concessões aos interesses dos mais fortes já ultrapassaram todos os limites. Isso não é idealismo; é um aspecto essencial do realismo político.
A guerra não deve ser vista como uma extensão da política; é a total falência desta última.
No mundo interdependente em que vivemos, liderar significa equilibrar os interesses nacionais com os interesses globais.
Esta visão provém de alguém que representa uma nação comprometida com a paz e a liberdade.
Um indivíduo que lutou contra uma ditadura militar e defendeu seu país contra um golpe. É a perspectiva de um operário que foi eleito presidente três vezes e conseguiu retirar o Brasil do Mapa da Fome.
Recentemente, esta Assembleia fez justiça ao reconhecer distorções históricas importantes.
A aprovação do tráfico de africanos escravizados como um dos maiores crimes contra a humanidade foi um passo significativo. Além disso, foi aprovada uma representação mais fiel do mundo no mapa-múndi.
Agora, devemos focar em questões fundamentais para o futuro da humanidade:
- multilateralismo ou unilateralismo;
- democracia ou extremismo;
- soberania ou subordinação.
Tais escolhas exigem coragem, vontade política e clareza nos objetivos. Isso é o que se espera de verdadeiros estadistas.
Líderes como Yasser Arafat e Yitzahk Rabin foram exemplos dessa estatura. Eles desafiaram o passado para construir um futuro pacífico.
No entanto, foram derrotados pelo ódio persistente.
Crianças e mulheres palestinas ainda carregarão as cicatrizes deixadas pelo genocídio perpetrado pelo governo Netanyahu em Gaza. E civis israelenses também sofrem as consequências do radicalismo e dos atos terroristas cometidos pelo Hamas.
A perseguição ao Tribunal Penal Internacional e seus membros só encoraja a impunidade desses crimes terríveis.
A relatora especial da ONU, Francesca Albanese, não deve ser silenciada por falar a verdade. Os assentamentos ilegais na Cisjordânia tornam cada vez mais inviável a solução dos dois Estados, essencial para garantir segurança tanto para israelenses quanto para palestinos.
Ameaçar civilizações com extinção não trará estabilidade ao Oriente Médio.
O Estreito de Ormuz se tornou um campo de batalha quando deveria ser uma via crucial para o comércio internacional. Famílias globalmente estão sentindo os efeitos do aumento nos preços dos combustíveis, alimentos e fertilizantes devido a esses conflitos.
A guerra entre Rússia e Ucrânia já dura cinco anos e continua causando um drama humanitário devastador com perdas irreparáveis de vidas humanas.
Sabe-se que não haverá vencedores nas batalhas travadas nesse cenário atual.
A única saída é pela diplomacia.
Iniciativas como o Grupo de Amigos da Paz, criado por Brasil e China, demonstram que existem forças na comunidade internacional dispostas a buscar diálogos construtivos.
A proximidade geográfica dos países da América Latina e Caribe com o maior poder militar mundial é inegável em tempos onde tentativas hegemônicas ressurgem com força total.
O Brasil não se encaixa no quintal alheio; buscamos parcerias pautadas por agendas positivas voltadas ao desenvolvimento comum.
As divergências ideológicas não devem servir como barreiras à integração entre vizinhos. Os países latino-americanos conhecem bem os horrores dos regimes autoritários; percorremos um longo caminho para restaurar nossa democracia participativa.
A democracia enfrenta novos desafios novamente.
Estamos testemunhando intervenções externas nos processos eleitorais dentro da região.
A divisão global em zonas influentes e as investidas neocoloniais por recursos estratégicos são gestos anacrônicos desnecessários.
O povo venezuelano merece decidir seu próprio futuro.
A Nicarágua não encontrará soluções bloqueando opositores nas eleições.
A situação no Haiti segue testando os limites da indiferença internacional.
E no caso de Cuba, observamos estarrecidos as consequências coletivas impostas sobre 10 milhões pelo embargo econômico ilegal.
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Caminhos para enfrentar desafios internos
Papel do Brasil no combate ao crime organizado
Senhor Presidente,
Não minimizamos os desafios impostos pelo crime organizado.
Estamos prontos para enfrentar as organizações criminosas que atormentam nossas comunidades.
Trabalhadores são vítimas constantes.
Mães perdem seus filhos todos os dias.
Policiais arriscam suas vidas sem retorno ao lar.
As pessoas estão cansadas dessa violência constante.
Porém, não vamos terceirizar nossa responsabilidade em proteger nossas fronteiras nem garantir à população o direito à segurança pública.
Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas; precisamos sim cooperação efetiva para interromper o fluxo financeiro e armamentista que alimenta o crime organizado.
Esse é exatamente o espírito por trás da proposta apresentada pessoalmente ao Presidente dos Estados Unidos,
onde queremos combater a lavagem de dinheiro realizada por criminosos brasileiros além-fronteiras.
Durante muito tempo as unidades federativas brasileiras atuaram isoladamente; essa falta de coordenação beneficiava os criminosos — mas isso está mudando agora! Criamos em Manaus um Centro Internacional de Cooperação Policial na Amazônia reunindo autoridades responsáveis pela segurança pública dos nove países amazônicos!
Em 2025 realizamos a maior operação contra crime organizado na história do Brasil!
Bateu recordes nas apreensões tanto drogas quanto bens ilícitos!
Estamos agindo contra todos os níveis desse crime organizado inclusive enfrentando magnatas envolvidos!
A Lei Antifacção recém-aprovada impõe penas mais severas ao crime organizado comparadas às previstas para terrorismo!
Crime organizado e corrupção caminham juntos!
O combate à corrupção seguirá firme; ninguém está acima das leis!
Desafios globais: multilateralismo vs unilateralismo h2 >
Senhoras e senhores,
Os fundamentos do multilateralismo encontram-se sob ameaça contínua!
A Organização Mundial do Comércio luta pela sobrevivência!
Quando governos se rendem às imposições daqueles que usam tarifas como armas coercitivas ou chantagistas suas consequências são desastrosas!
Na era da desinformação aqueles que praticam obscurantismos resistem à ciência! Nunca esqueceremos das vidas perdidas devido à negligência durante enfrentamento à COVID-19! Campanhas anti-vacinas trazem doenças antes erradicadas novamente à tona! Enfraquecer organizações como OMS aumenta nossa vulnerabilidade coletiva!
Urgência ambiental h2 >
Até pouco tempo atrás respostas às mudanças climáticas estavam firmemente colocadas no centro das discussões internacionais! Este ano esse tema desapareceu das pautas do G7 e G20 – fóruns compostos pelos maiores emissores mundiais! É hora urgente retomar essa ofensiva contra negacionismos climáticos ! A natureza nos lembra diariamente: nosso planeta é único ! As geleiras himalaicas derretem rapidamente ! Um Super El Niño pode causar chuvas torrenciais secas incêndios florestais diversas partes mundo ! Seus efeitos atingirão principalmente aqueles mais vulneráveis ! O Brasil tem mostrado ser possível unir crescimento econômico diminuição emissão gases poluentes ! Alcançamos autossuficiência petrolífera seguimos investigando novas reservas potencial Margem Equatorial ! Não abrimos mão agenda ambiental levaremos adiante Mapa Caminho Descarbonização economia nacional ! O Fundo Florestas Tropicais Para Sempre criado COP30 Belém demonstra possibilidade mudança paradigmas antigos ! Floresta vale mais preservada destruída ! Continuaremos esforços redução desmatamento Amazônico caiu pela metade atingiu menor nível últimos 11 anos ! Temos autoridade moral rejeitar medidas protecionistas disfarçadas defesa causas ambientais ! Brasil referência mundial energia renovável possuímos minerais críticos terras raras necessárias transição energética mundial ! Nossas riquezas naturais pertencem povo brasileiro beneficiarão ele mesmo exploração deverá gerar valor território nacional transferência tecnologia suprimento setores estratégicos país ! p >
Regulamentação tecnológica h2 >
Senhor presidente,
Estamos vivendo revolução tecnológica sem precedentes repleta riscos oportunidades imensas ! Seria omissão histórica imperdoável ignorar necessidade regulamentação Big Techs Inteligência Artificial ! Poucos tecno-oligarcas buscam reviver neoliberalismo digital desprovido regras transparência alguma promovendo corrida ética desenfreada contrária princípios estabelecidos ONU Painel Científico IA ! Como alerta Papa Leão XIV “decisões tecnológicas jamais devem estar desconectadas consciência responsabilidade social”! Empresas cientes riscos produtos transferem famílias tarefa impossível enfrentar algoritmos complexos desenvolvidos por elas mesmas! Indústria bilionária BETs transforma vícios lucros exorbitantes enquanto disseminação acelerada condena lares endividados destruídos completamente! Brasil não aceitará modelo negócios predatório aprovado recentemente legislação avançada proteção crianças adolescentes mulheres espaço digital asseguraremos remuneração justa artistas músicos criadores conteúdos audiovisuais ! Não cederemos pressões multinacionais desejam privatizar nosso PIX – infraestrutura pública gratuita pagamentos inclusiva milhões brasileiros atuais realidade financeira positiva transformação social realizada nos últimos anos ! p >
Objetivos sustentáveis: luta contínua h2 >
Senhoras senhores,
Objetivos Desenvolvimento Sustentável são alvos ataques forças reacionárias desejosas normalizar injustiças sociais existentes atualmente mundo afora ! Desigualdade subdesenvolvimento resultam escolhas políticas explícitas portanto devemos colocar pobres orçamentos públicos fazendo ricos pagarem sua parte justo necessário cortar privilégios investir saúde educação gratuitas qualidade acessível todos cidadãos brasileiros independentemente classe social condição econômica atual existente nosso país atualmente temos visto anseio legítimo mudanças reais porém mudar nunca deve significar retroceder direitos conquistados anteriormente nem permitir retorno teorias supremacistas raciais submissão feminina colonialismos modernos voltados Sul Global mudar significa avançar rumo futuro participação conquistas sociais coletivas criar compartilhar soluções públicas efetivas enfrentamento desafios desenvolvimento através fortalecimento Estado democrático capaz eficiente apoiar solidariedade cooperação África Ásia América Latina Caribe iniciativas Aliança Global Contra Fome Pobreza Painel Internacional Desigualdade surgem vontade política necessária transformar realidades sociais econômicas nossos povos buscando igualdade dignidade justiça social melhor qualidade vida promoção cidadania plena direitos humanos . p >
Modelo econômico progressista h2 >
Brasil tem pressa tornar-se nação desenvolvida socialmente justa adotamos modelo econômico baseado distribuição renda geração empregos valorização salário melhor produtividade ampliação crédito construção robusta rede proteção social nosso país voltou crescer sustentavelmente atualmente somos terceiro maior destino investimentos estrangeiros diretos apesar tarifaço imposto nossa economia neste ano batendo recordes exportações internacionais ainda há longo caminho ser percorrido transformação mercado trabalho pessoas idosas desejam permanecer ativas jovens aspiram empreender trabalhadores necessitam tempo descanso qualificação convivência familiar concretização objetivo envolve fim escala trabalhista 6×1 garantindo dois dias livres semana essencial aliviar sobrecargas domésticas recaindo principalmente mulheres construindo sociedade onde elas não precisem pedir licença ocupar espaços poder inserirem mercado trabalho país livre feminicídios onde nenhuma mulher viva ameaçada violência seja dentro fora casa essa causa urge abraçada globalmente Senhor presidente … Ao receber Nobel Paz Martin Luther King disse “aquilo que pessoas voltadas si mesmas destruíram outras voltadas próximo podem reconstruir” . p >
Conclusão: renovando esperanças h2 >
ONU surgiu sob símbolo esperança durante oitenta anos contribuiu decisivamente processos descolonização promoveu direitos humanos apoiou desenvolvimento sustentável protegeu migrantes refugiados condenou racismo intolerância religiosa diversas formas agressão violentamente discriminatórias essas conquistas devem ser preservadas continuaremos lutando contra injustiças sociais apenas assim conseguiremos edificar nova ordem mundial pautada paz justiça solidariedade humana respeito diversidade cultural fundamental construir sociedades inclusivas igualitárias livres preconceitos discriminação qualquer natureza precisamos reencontrar vontade política permitir ONU voltar ser templo paz esperança renovada desejo reiterado aqui diante representações todos países presentes neste momento crucial história humanidade concluo mensagem meu país: dia quatro outubro milhões brasileiras brasileiras irão urnas definir destino apenas escolherão presidente governadores representantes Poder Legislativo decidirão entre democracia negacionismos enquanto avançamos rumo futuro melhores oportunidades vamos evitar retrocessos exclusão tudo isso será realizado sob olhar atento cidadania plural imprensa livre garantiremos inimigos democracia internos externos atentarem contra vontade popular democracia brasileira pertence brasileiros Brasil continuará sendo soberano ninguém ninguém afastará desse caminho ; Que Deus abençoe todos nós muito obrigado! p>
Secretaria Comunicação Social Presidência República em > p >
Foto: Lula na abertura debate geral 81ª Assembleia Geral ONU 22/09/2026 (Lula Oficial/Flickr CC BY-SA 4.0) em > p >

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