Aquisição de 34 imóveis em El Salvador revela a fortuna da família Bukele, seguindo os passos de Bolsonaro e Trump

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Uma extensa investigação realizada pelo El País, um dos jornais mais renomados da Espanha e do mundo, trouxe à tona o crescimento exponencial das riquezas do círculo próximo ao presidente de El Salvador, Nayib Bukele. A reportagem expõe como figuras influentes do governo salvadorenho aumentaram suas fortunas pessoais por meio de empréstimos duvidosos e a flexibilização das normas fiscais.

Segundo os dados levantados, o patrimônio declarado de Nayib Bukele saltou de 964 mil dólares em 2012 para aproximadamente 4,4 milhões de dólares até maio de 2026. Durante seus sete primeiros anos na presidência, ele e sua família adquiriram 34 novas propriedades, aumentando em doze vezes o valor de suas terras, que agora superam os 10 milhões de dólares.

O fenômeno da acumulação de riquezas não se limita ao presidente; outros membros do alto escalão também registraram aumentos significativos em seus bens. Por exemplo, Ernesto Sanabria, secretário de imprensa, viu seu patrimônio crescer de 269 mil dólares em 2019 para mais de 2 milhões atualmente. A chefe de gabinete Carolina Recinos e o presidente do Banco Central de Reserva, Douglas Pablo Rodríguez, também alcançaram a marca de 1,3 milhão de dólares em bens declarados, impulsionados por salários generosos e empréstimos facilitados pelo Banco Hipotecário estatal.

A revelação sobre a transparência patrimonial no país só foi possível devido à pressão exercida pelo Fundo Monetário Internacional para a liberação de um empréstimo no valor de 1,4 bilhão de dólares. A descoberta que envolveu pelo menos 21 dos 75 funcionários investigados – que tiveram um aumento patrimonial de até 713% – evidencia como o poder governamental foi utilizado para criar uma nova elite financeira.

No Brasil, há indícios semelhantes com as elites da extrema-direita adotando táticas parecidas para capturar recursos públicos sob uma fachada moralista e discurso antissistema. A família do ex-presidente Jair Bolsonaro acumulou um vasto império imobiliário ao longo de três décadas, totalizando 107 imóveis; desses, pelo menos 51 foram adquiridos com pagamentos em dinheiro vivo total ou parcial.

Pesquisas judiciais brasileiras também apontaram esquemas sistemáticos relacionados ao desvio salarial conhecido como “rachadinhas” no gabinete do senador Flávio Bolsonaro. Esse método questionável possibilitou a aquisição de uma mansão avaliada em 6 milhões de reais na capital federal com condições privilegiadas oferecidas por um banco estatal.

A maneira como o poder público é mercantilizado se assemelha diretamente às ações da família Trump nos Estados Unidos. Durante o governo Trump, a família conseguiu gerar centenas de milhões em receita ao cobrar preços exorbitantes por hospedagens destinadas a agentes estatais e líderes estrangeiros em seus hotéis e clubes luxuosos.

A confirmação do enriquecimento dessa dinastia ficou evidente quando Jared Kushner, genro do ex-presidente Trump, conseguiu fechar um fundo bilionário com a Arábia Saudita logo após deixar seu cargo público. Tanto o fenômeno bukelista em El Salvador quanto as dinastias brasileiras e norte-americanas demonstram que a extrema-direita global percebe a política não como um serviço à população, mas como uma oportunidade para enriquecer pessoalmente.

No contexto salvadorenho, o uso da violência estatal tem se tornado uma ferramenta para gentrificação que beneficia esse círculo restrito. Isso resultou na expulsão violenta de milhares de trabalhadores informais do centro histórico de San Salvador sob ameaças severas no atual regime autoritário. Essa remoção dos mais pobres abriu espaço para grandes franquias americanas e para investimentos imobiliários por parte de corporações chinesas que estão adquirindo edifícios inteiros na área.

Diante desse cenário contrastante entre o luxo governamental e o aumento dramático da pobreza extrema – que afetou cerca de 241 mil pessoas – Héctor Dada, ex-ministro da Economia salvadorenha, descreveu o centro histórico como uma “ilha de riqueza” cercada pela miséria crescente. O historiador Héctor Lindo complementa essa análise afirmando que a família presidencial apenas reproduz métodos brutais das antigas oligarquias locais para perpetuar sua permanência no poder.

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