Um aspecto que frequentemente passa despercebido ao se analisar o placar de intenções de voto é a fidelidade do eleitorado, que é igualmente significativo. Nesse quesito, o presidente Lula (PT) se destaca claramente. A sexta edição da pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta segunda-feira (13), revela que 80% dos eleitores que atualmente optam por Lula afirmam que não mudarão sua escolha até outubro, superando em seis pontos percentuais o índice de fidelidade do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu principal concorrente, que registra 74%.
A importância desse indicador
A lógica por trás desse dado é bastante direta: quanto maior o número de eleitores que já decidiram seu voto, menor será a possibilidade de outros candidatos atraírem esses votantes durante a campanha. Dentre aqueles que hoje apoiam Lula, apenas 18% consideram mudar de opinião. No caso de Flávio, esse grupo “aberto” é maior, atingindo 25%.
A diferença entre os demais candidatos também é notável: Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) possuem cada um apenas 53% do eleitorado fiel, com quase metade ainda aberta a alternativas. Romeu Zema (Novo) apresenta um cenário ainda mais preocupante, com apenas 33% de fidelidade — 63% dos seus apoiadores atuais afirmam que podem optar por outro candidato. Por fim, Cabo Daciolo (Mobiliza) aparece no último lugar, com meros 10% de votos consolidados.
A evolução da vantagem ao longo do semestre
A análise histórica da Nexus indica que essa disparidade não se mantém constante: ela se ampliou ao longo do ano. Em 30 de março, tanto Lula quanto Flávio possuíam índices idênticos de fidelidade, ambos em 74%. Desde então, o percentual do presidente cresceu continuamente, alcançando 83% no final de junho. Por outro lado, Flávio oscilou entre 74% e 77%, sem conseguir um avanço comparável. Na rodada mais recente, Lula apresentou uma leve queda para 80%, mas a diferença em relação ao senador permaneceu em seis pontos.
A polarização e a intensidade das convicções
Uma análise adicional da pesquisa confirma esse padrão: entre os eleitores considerados “lulistas convictos”, a fidelidade atinge impressionantes 87%, dez pontos acima dos “bolsonaristas convictos” (77%). Já entre aqueles que enxergam Lula ou a família Bolsonaro apenas como uma “alternativa”, os índices de fidelidade caem para a faixa entre 55% e 57%, praticamente iguais entre os dois grupos. Isso indica que a principal força de Lula está concentrada em seu núcleo mais fiel e não necessariamente entre os eleitores mais neutros ou pragmáticos.
A herança eleitoral de 2022
O levantamento também analisou dados da eleição presidencial de 2022, revelando uma assimetria evidente: Lula retém 79% dos eleitores que votaram nele no segundo turno daquele ano, com apenas 3% desse grupo mudando para Flávio. Em contrapartida, o senador mantém apenas 72% dos votos dos apoiadores de Jair Bolsonaro em 2022 — sete pontos percentuais a menos do que o presidente. Uma parte considerável desses ex-eleitores bolsonaristas está se dispersando entre outros nomes: 7% para Caiado, 5% para Zema e 4% para Renan Santos, destacando que o “herdeiro natural” do bolsonarismo ainda não conseguiu solidificar toda a base deixada por Bolsonaro.
Implicações dessa informação no cenário eleitoral
Considerando a vantagem contínua de Lula em todos os cenários possíveis para primeiro e segundo turno e o empate técnico favorável na avaliação do governo, o índice de fidelidade sugere uma leitura importante: além de estar à frente no momento atual, o presidente parece estar estabelecendo uma base mais robusta e resistente à disputa pelos indecisos quando comparado ao seu principal opositor — especialmente em um período em que Flávio Bolsonaro enfrenta uma série de crises internas, desde desavenças com Michelle até bloqueios patrimoniais envolvendo aliados como Valdemar Costa Neto, o que pode testar ainda mais a coesão desse eleitorado nos próximos meses da campanha.

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