Painel solar da China ultrapassa silício em avaliação industrial em larga escala

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Material inovador supera silício no setor solar

Uma pesquisa realizada pela Universidade de Nanjing, em colaboração com cientistas do Canadá, revelou pela primeira vez que painéis solares feitos de perovskita podem gerar mais eletricidade do que os tradicionais sistemas de silício em uma área equivalente. Os achados foram divulgados na renomada revista científica Nature.

No experimento, um sistema de perovskita com capacidade de 1 megawatt foi instalado ao lado de uma usina de silício com 3,5 megawatts, ambos localizados no mesmo parque solar. Durante um período de três meses, a unidade de perovskita demonstrou consistentemente maior produção energética em relação à sua capacidade instalada.

A diferença na geração de energia aumentou conforme as temperaturas subiram: observou-se um acréscimo de 3,42% em março, 3,79% em abril e 5,81% em maio. Este desempenho superior sob calor é especialmente relevante, visto que o silício tende a perder eficiência em altas temperaturas.

Entendendo a perovskita e sua importância

A perovskita refere-se a uma classe de materiais cristalinos com uma estrutura única, capaz de absorver luz solar com grande eficácia. Além disso, pode ser fabricada em camadas extremamente finas e a um custo relativamente acessível. Diferente do silício, que requer processos industriais custosos e intensivos em energia para sua purificação, a perovskita pode ser aplicada em superfícies sob condições menos rigorosas.

Um dos maiores desafios enfrentados até o momento era a durabilidade dos módulos. Painéis grandes feitos de perovskita costumavam se deteriorar rapidamente quando submetidos a calor, umidade e variações bruscas de temperatura — fatores que qualquer painel comercial precisa suportar por longos períodos.

Recorde de eficiência para módulos grandes

O painel desenvolvido pela equipe possui uma área semelhante à de uma mesa de jantar. Nesta dimensão, atingiu uma eficiência impressionante de 22% com uma potência total de 158,4 watts — estabelecendo um novo recorde para perovskita nesta escala — e passou nos rigorosos testes climáticos exigidos para aplicações comerciais.

Os pesquisadores caracterizam essa abordagem como robusta e simples, pronta para ser inserida na indústria. A combinação entre alto desempenho e durabilidade verificada é o que diferencia este resultado das inovações anteriores obtidas apenas em ambiente laboratorial.

Concorrência tecnológica e indústria

A China já é líder na produção global de painéis solares baseados em silício e está investindo fortemente nas tecnologias fotovoltaicas da próxima geração. Empresas chinesas como a LONGi estão desenvolvendo células tandem que integram perovskita e silício, tendo alcançado uma eficiência certificada de 34,6% em 2024 — um novo recorde mundial para esse tipo de célula.

A criação de um sistema comercialmente viável apenas com perovskita poderia provocar uma transformação significativa: possibilitando a fabricação de painéis mais leves, flexíveis e acessíveis, expandindo o uso da energia solar para locais e mercados onde os painéis de silício não são viáveis. A demonstração em escala industrial com 1 megawatt sugere que essa transição está deixando os laboratórios para entrar na fase prática da indústria.

O próximo passo — ainda não detalhado no artigo publicado na Nature — envolve replicar o sistema em maior escala e por períodos prolongados, condição essencial para que fabricantes se sintam seguros ao converter suas linhas produtivas.

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