TikTok fecha vulnerabilidade descoberta por IA gratuita que permitia acesso remoto à câmera e fotos do celular

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Uma falha de segurança no TikTok, que possibilitava o acesso remoto à câmera e ao rolo de fotos de dispositivos móveis, foi corrigida após uma investigação conduzida pela DepthFirst. Os pesquisadores utilizaram inteligência artificial (IA) para identificar e combinar várias vulnerabilidades que resultaram em um risco significativo para usuários que não mantêm seus aplicativos atualizados ou que concedem permissões excessivas relacionadas a fotos, localização e câmera.

A equipe da DepthFirst adaptou uma versão gratuita do modelo GLM da Z.ai, integrando-a a outras ferramentas para examinar códigos em busca de vulnerabilidades. Esse processo revelou falhas em um componente de código aberto utilizado pelo TikTok, permitindo o acesso a informações sensíveis do dispositivo.

A revelação sobre essa vulnerabilidade ocorreu na sexta-feira, 18 de setembro de 2026, através de uma análise do The Washington Post, que incluiu um vídeo demonstrativo e comunicações da equipe de segurança da plataforma. Embora o TikTok tenha reconhecido o problema junto à DepthFirst e implementado a correção necessária, não houve resposta aos pedidos de comentário feitos pelo veículo.

Permissão comum virou alvo técnico

Para o usuário final, o aspecto crítico não reside apenas em discussões sobre IA. A questão central envolve a conexão entre um aplicativo instalado, permissões aceitas sem precaução e uma vulnerabilidade ainda não corrigida no dispositivo.

Permissões para fotos, localização e câmera são frequentemente consideradas triviais ao utilizar redes sociais. Entretanto, quando uma falha permite que terceiros contornem essas permissões, o celular se transforma em um alvo vulnerável em vez de um simples dispositivo de visualização.

A DepthFirst alertou o TikTok sobre a vulnerabilidade antes de divulgá-la publicamente. Essa abordagem diferencia uma pesquisa voltada à defesa contra ações maliciosas da exploração criminosa, pois proporciona à empresa tempo necessário para corrigir a falha antes que ela seja explorada por invasores.

Qasim Mithani, CEO da DepthFirst, aconselhou ao Post que os usuários devem atualizar seus aplicativos com regularidade e restringir acessos a fotos, localização e câmera. Ele resumiu sua recomendação com uma frase direta: “Você não deve confiar em nenhum aplicativo”.

A corrida das falhas ficou mais rápida

A descoberta relacionada ao TikTok faz parte de um cenário mais amplo no campo da cibersegurança. Ferramentas baseadas em IA agora são utilizadas não apenas para codificação ou resumo de informações, mas também para identificar erros que podem ser explorados por atacantes.

A unidade Unit 42 da Palo Alto Networks revelou em agosto que seu sistema autônomo NOVA analisou 3.915 projetos de código aberto em um período de dois meses, identificando 14.090 vulnerabilidades. Destas, 99,4% ainda não haviam sido reportadas anteriormente e cerca de 40% foram classificadas como alta ou crítica.

Esse aumento na quantidade de falhas altera significativamente a gravidade do problema. O foco deixa de ser apenas a identificação das vulnerabilidades e passa a incluir triagem, notificação aos responsáveis pela manutenção dos sistemas, correções necessárias e atualizações nos dispositivos dos usuários.

A presença de componentes de código aberto dentro de aplicativos populares expande ainda mais o escopo dessa problemática. Um erro localizado em uma biblioteca compartilhada por diversas empresas pode se propagar por diferentes serviços, mesmo que o usuário visualize apenas o ícone de um único aplicativo em seu celular.

Modelo aberto aumentou a pressão

A escolha da DepthFirst pelo modelo da Z.ai ilustra uma divisão no mercado atual. Empresas norte-americanas como OpenAI e Anthropic adotam políticas rigorosas quanto ao acesso controlado para capacidades cibernéticas avançadas, enquanto modelos abertos permitem download, modificação e integração por equipes menores.

Nesta semana, o Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos Estados Unidos (NIST) divulgou uma avaliação do GLM-5.3 da Z.ai. O instituto classificou esse modelo como o mais eficaz em cibersegurança entre os modelos abertos disponibilizados até então; no entanto, isso não garante que essa versão tenha sido utilizada pela DepthFirst durante os testes com o TikTok.

Essa disputa não se encaixa na simples dicotomia entre tecnologia boa ou ruim. A mesma ferramenta capaz de detectar uma vulnerabilidade antes que criminosos possam explorá-la também pode facilitar o trabalho daqueles que buscam alvos fáceis.

Para os leitores, as medidas imediatas permanecem claras: atualizar regularmente aplicativos como TikTok e retirar permissões permanentes desnecessárias ajudam a reduzir riscos enquanto empresas e pesquisadores se empenham na correção das próximas brechas.

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