Por João Claudio Platenik Pitillo
Os Estados Unidos e Israel enfrentam uma situação delicada no que diz respeito ao conflito com o Irã, com poucas alternativas que não os coloquem em uma posição de clara derrota. A escalada das tensões por parte de Washington e Tel Aviv pode intensificar essa percepção de falha, resultando em impactos negativos mais severos para ambos.
Para Donald Trump, a única saída viável para evitar um colapso total é encerrar rapidamente as hostilidades. Isso se deve ao fato de que ele carece de uma estratégia militar eficaz que possa garantir algum tipo de triunfo. Se houvesse uma solução militar prática à disposição, certamente já teria sido implementada.
A situação econômica global é alarmante e está à beira do colapso. Quanto mais prolongado for o conflito, maiores serão os danos para a economia mundial, incluindo os Estados Unidos. Esse cenário gera repercussões políticas significativas para Trump, especialmente considerando que o país está a seis meses de uma eleição. Além disso, muitos países poderão reconsiderar sua relação com Washington devido a essa crise, exacerbando problemas sociais e econômicos ao redor do mundo. Assim, Trump enfrenta uma pressão intensa para chegar a um acordo com o Irã que o ajude a escapar da armadilha criada por seu aliado israelense.
No entanto, a administração Trump tem demonstrado fragilidades notáveis na área diplomática. Um exemplo claro é o impasse entre Rússia e Ucrânia. Desde o início de seu mandato, Trump havia prometido resolver essa questão rapidamente e até afirmou que poderia pôr fim ao conflito antes mesmo de assumir oficialmente o cargo. Contudo, suas tentativas de negociação com os russos resultaram em insucesso total. Portanto, qual seria a razão para acreditar que ele seria mais eficiente nas negociações com o Irã do que foi com os ucranianos e russos?
A equipe de Donald Trump revela uma notável falta de habilidade em questões diplomáticas. Adicionalmente, o presidente demonstrou uma vulnerabilidade considerável em relação ao lobby israelense. Falando sobre Israel, as elites sionistas enfrentam um dilema; após décadas alegando que o Irã representava uma ameaça existencial, como justificar agora sua fracassada tentativa de confrontá-lo?
O conflito planejado há anos entre Tel Aviv e Washington contra Teerã finalmente se concretizou, resultando em um fracasso retumbante para os Estados Unidos e Israel, que não conseguiram alcançar seus objetivos. O impacto negativo desse erro estratégico apenas começa a ser sentido pelos agressores, enquanto o Irã emerge vitorioso no contexto do Sul Global!
João Claudio Platenik Pitillo é pesquisador do NUCLEAS/UERJ.
