Lula lidera em todas as simulações, mas duelo no segundo turno com Flávio permanece indefinido dentro da margem de erro

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Na última segunda-feira (13), a sexta edição da pesquisa BTG/Nexus revelou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se destaca como favorito nas simulações para a eleição presidencial de outubro, tanto no primeiro quanto no segundo turno. O levantamento foi realizado entre os dias 10 e 12 de julho, com 2.003 eleitores entrevistados por telefone, apresentando uma margem de erro de dois pontos percentuais.

Primeiro turno: Lula mantém vantagem, mas em queda

Na simulação estimulada, Lula registra 40% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu principal concorrente, possui 34%. Essa diferença de seis pontos representa uma diminuição em relação à rodada anterior, realizada em 29 de junho, quando o presidente alcançava 42% e Flávio permanecia estável com 34%. Em terceiro lugar, Ronaldo Caiado (PSD) aparece com apenas 5%.

Em um cenário espontâneo—onde o eleitor menciona o nome do candidato sem auxílio de lista—Lula ainda lidera, mas com uma margem maior de 11 pontos: 35% contra 24% para Flávio. Ambos os candidatos mostram redução nas intenções desde a pesquisa anterior, indicando que parte do eleitorado pode estar se tornando indecisa, já que 22% dos entrevistados não souberam responder.

Segundo turno: vitória apertada para Lula contra Flávio

No segundo turno, Lula vence todas as simulações numericamente. Contudo, seu empate técnico com Flávio é notável; o resultado foi de 47% a 44%, com a diferença de três pontos dentro da margem de erro da pesquisa. Contra Zema, essa vantagem sobe para sete pontos (47% a 40%), enquanto contra Caiado chega a nove pontos (47% a 38%). A maior distância ocorre na simulação contra Renan Santos do movimento “Missão”, onde Lula lidera por 14 pontos (49% a 35%).

Polarização eleitoral no Brasil

A análise regional dos dados revela uma polarização geográfica significativa. No Nordeste, Lula lidera com expressivos 54%, enquanto Flávio tem apenas 25% no primeiro turno; essa diferença aumenta no segundo turno para 59% contra 35%. Por outro lado, no Sul do país, Flávio assume a liderança com uma vantagem acentuada: ele tem 47% ante os 26% de Lula no primeiro turno e amplia para 58% a 34% na disputa direta. No Sudeste, região mais populosa do Brasil, Lula mantém uma vantagem menor (38% a 33%), que cresce para 46% a 42% no segundo turno. Já no Norte/Centro-Oeste, Flávio sai na frente com índices de 37% contra 32%, aumentando para50% a 42% na segunda etapa.

Além disso, ao considerar a renda dos eleitores, os números são igualmente impressionantes: Lula obtém apoio de 53% entre aqueles que recebem até um salário mínimo, comparado aos apenas 22% de Flávio nesse segmento — essa é a maior diferença observada em qualquer grupo analisado na pesquisa.

Espaço para uma “terceira via”

Um dado relevante destaca-se: ao serem questionados sobre qual campo político deveria prevalecer nas eleições independentes dos nomes apresentados, cerca de 27% dos participantes manifestaram preferência por uma candidatura que não fosse nem lulista nem bolsonarista — uma subida em relação aos anteriores 21%. Esse aumento sugere um descontentamento real com a polarização que tem dominado o cenário político nos últimos anos e se combina com os sólidos apoios registrados por Lula (36%) e pelo bolsonarismo (32%).

Cenário atual e suas implicações

A pesquisa foi conduzida em um período particularmente conturbado para Flávio Bolsonaro. A crise pública envolvendo sua madrasta Michelle e o bloqueio de R$119 milhões em bens do político Valdemar Costa Neto devido à suspeita de desvio de emendas são fatores que impactam sua imagem. Além disso, Eduardo Cunha também está sob investigação — suas emendas supostamente foram assinadas pelo Republicanos, partido que Flávio considera aliar-se eleitoralmente.

Ainda pesa sobre ele os desdobramentos do escândalo envolvendo o Banco Master e o financiamento do filme “Dark Horse”. Embora esses problemas não tenham dizimado seu apoio eleitoral — mantendo-se estável em torno dos 34%, conforme indicado pela pesquisa — eles não impedem que Lula continue à frente na maioria das análises relevantes, exceto entre eleitores do Sul e aqueles pertencentes às classes mais altas historicamente adversas ao PT.

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