Haddad propõe investigação judicial sobre o caso Master

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Nesta segunda-feira (12), o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, descreveu o escândalo do banco Master como “uma excelente oportunidade para limpar a imagem do país, incluindo a atuação do Judiciário”. Durante uma entrevista ao programa Estúdio i, transmitido pela GloboNews, ele enfatizou a necessidade de ação da Polícia Federal e do Ministério Público em relação ao esquema de proteção que envolve Daniel Vorcaro, controlador da instituição financeira.

Em novembro de 2025, o Banco Central decidiu liquidar o Master após constatar um deficit de R$ 43 bilhões. Para garantir um ressarcimento de até R$ 250 mil por cliente, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) destinou uma provisão inicial de R$ 40,6 bilhões. Este valor representa o maior desembolso já realizado pelo fundo que assegura os depósitos bancários no Brasil.

Uma proteção com muitos envolvidos

Questionado sobre a possível demora do governo em perceber que a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) poderia impactar a reeleição do presidente Lula (PT), Haddad afirmou que desde o início acompanhou os sinais de irregularidades. Segundo ele, o que surpreendeu foi a extensão da rede de proteção em torno de Vorcaro.

“Não se imaginava que isso pudesse atingir o Poder Judiciário, como estamos vendo. De fato, Vorcaro desenvolveu um plano de blindagem envolvendo muitas pessoas”, declarou.

“Acredito que o governo não tinha como saber até onde iam os tentáculos do caso Master”, complementou.

A responsabilidade pela regulação do sistema financeiro era do Banco Central; no entanto, Haddad garantiu ter se dedicado, enquanto estava à frente do Ministério da Fazenda, a combater as anomalias. Ele defendeu a decisão de liquidação do banco e elogiou as ações da Polícia Federal e do Ministério Público.

Como o caso atingiu o Judiciário

A prisão de Daniel Vorcaro pela Polícia Federal ocorreu em 2025. A defesa do controlador nega qualquer envolvimento em fraudes e afirma que o banco possuía solidez para cumprir suas obrigações financeiras.

A participação do Judiciário se intensificou no mesmo mês, quando foi noticiado que empresas vinculadas ao grupo de Vorcaro pagaram consultorias ao então ministro do STF Gilmar Mendes. Mendes confirmou os pagamentos e considerou os serviços legais, além de se declarar impedido para julgar questões relacionadas ao caso.

Um cenário eleitoral desafiador

<pNo primeiro turno das eleições, realizado em 4 de outubro, Lula ficou atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL). Haddad descreveu a disputa seguinte como "extremamente acirrada" e evitou fazer previsões sobre seu desfecho.

Para Haddad, embora seja crucial apresentar os feitos do governo, isso pode não ser suficiente para tranquilizar um eleitorado preocupado com temas como emprego, mudanças climáticas e automação. “O presidente Lula possui uma vantagem considerável sobre qualquer antecessor; no entanto, isso não garante sucesso nas eleições”, afirmou.

“É essencial prestar contas, mas é ainda mais importante estabelecer um diálogo sobre o futuro com um projeto que alivie as preocupações das pessoas”, acrescentou. Ele expressou otimismo ao observar a mobilização dos apoiadores nas ruas e nas redes sociais.

A respeito da possibilidade de assumir a Casa Civil em um eventual novo mandato sob Lula, Haddad não confirmou essa possibilidade. “Sempre serei um cidadão ativo na política conforme minhas convicções”, declarou.

O segundo turno está agendado para ocorrer em 25 de outubro, treze dias após a entrevista. A investigação sobre o caso Master continua sob responsabilidade da Polícia Federal e do Ministério Público; assim, o anseio por uma limpeza na situação defendida por Haddad dependerá dos resultados dessa apuração.

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