A A5X anunciou nesta segunda-feira, 14 de setembro de 2026, uma captação de R$ 360 milhões em rodada Série D e passou a ser avaliada em R$ 2,7 bilhões após o aporte. A rodada foi liderada por Morgan Stanley, Goldman Sachs e Kaszek, com participação de acionistas atuais como IMC, Jump Trading, Optiver, XTX Markets e ABN AMRO Clearing.
O dinheiro leva para uma etapa financiada a tentativa mais concreta de criar uma alternativa brasileira à B3 no mercado de derivativos e futuros. A estreia da plataforma está prevista para o segundo trimestre de 2027, com negociação em bolsa e compensação por uma contraparte central garantidora, conhecida no mercado pela sigla CCP.
Capital para atravessar a largada
A A5X informou que a Série D deve financiar a operação até o ponto de equilíbrio. O pacote inclui capital regulatório, investimento em tecnologia, integração com participantes e recursos para escalar a companhia na fase inicial.
A XP também entrou na base de investidores após exercer uma opção de compra. Com a nova rodada, a A5X afirma ter levantado mais de R$ 730 milhões em quatro captações desde a fundação.
A avaliação da empresa dobrou em relação à Série C, quando a A5X havia informado valor de R$ 1,35 bilhão após o aporte. A mudança de escala ajuda a separar o projeto de uma apresentação ao mercado e o coloca como infraestrutura em construção, com caixa, acionistas globais e data de estreia.
A disputa com a B3
A A5X nasce para atacar um ponto sensível do mercado brasileiro. A B3 concentra a principal infraestrutura de negociação, compensação, liquidação, registro e depósito do país, com presença especialmente forte nos derivativos de juros, moedas, índices e commodities.
No segundo trimestre de 2026, a B3 informou receita de R$ 3,1 bilhões e lucro líquido recorrente de R$ 1,4 bilhão. Em derivativos, o volume médio diário negociado chegou a 11,1 milhões de contratos no período, mesmo com queda de 8,3% em relação ao mesmo trimestre de 2025.
Esse tamanho explica o desafio da A5X. Uma nova bolsa não precisa apenas abrir tela de negociação. Precisa convencer bancos, corretoras, gestores, formadores de mercado e grandes participantes a conectarem sistemas, depositarem garantias e transferirem liquidez para outro ambiente.
A pressão concorrencial sobre a B3 ganhou outro elemento em 2026. A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica recomendou em junho a condenação da companhia em processo sobre práticas nos mercados de registro e depósito de ativos, mas a recomendação ainda depende de decisão do Tribunal do Cade.
O que muda para o mercado
Para participantes do mercado, a promessa é uma alternativa nacional para negociar contratos futuros e opções sem depender exclusivamente da estrutura da B3. Se funcionar, a concorrência pode pressionar tarifas, ampliar produtos e acelerar mudanças tecnológicas em um setor acostumado a barreiras altas de entrada.
O limite factual permanece relevante. A A5X ainda está em fase pré-operacional e seu primeiro foco não é substituir a B3 no mercado de ações, mas disputar derivativos e futuros.
O presidente-executivo e cofundador da A5X, Carlos Ferreira Filho, disse que a rodada trouxe mais que dinheiro. “Com a rodada atual, além do capital, reunimos algumas das mais respeitadas instituições financeiras do mundo e alguns dos mais sofisticados participantes do mercado de capitais global e brasileiro”, afirmou.
Ferreira Filho também afirmou que a empresa combina tecnologia de negociação e compensação do London Stock Exchange Group com infraestrutura própria criada para o Brasil. A parceria tecnológica inclui sistemas de negociação, gestão de risco, vigilância de mercado, compensação e liquidação.
O calendário agora concentra a prova principal no segundo trimestre de 2027. Até lá, a disputa com a B3 dependerá menos do discurso de concorrência e mais da capacidade da A5X de entregar autorização, conexão, garantia, liquidez e contratos suficientes para fazer o mercado atravessar a ponte.

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