Em setembro, a inflação oficial registrou um aumento de 0,82%, a maior elevação para este mês desde 2021, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse crescimento superou a expectativa do mercado, que era de uma alta de 0,76%, além de inverter a deflação observada em agosto, que foi de 0,32%.
Considerando um período de 12 meses, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) alcançou 4,58%, ultrapassando o limite da meta inflacionária estabelecida em 4,5%. No acumulado do ano até agora, os preços se elevaram em 3,95%.
A principal responsável pela alta em setembro foi a energia elétrica residencial, que teve um acréscimo de 7,98% devido ao término do desconto do Bônus de Itaipu nas contas emitidas no mês anterior. O setor de Habitação também contribuiu com um aumento de 2,31%, impulsionado pela elevação no custo da conta de luz.
Segundo Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, “Com o mercado de trabalho aquecido e os salários crescendo acima da produtividade, as expectativas inflacionárias superando a meta facilitam o repasse dos custos. Isso faz com que a inflação nos serviços demore mais para ser controlada”.
Analisando os dados coletados por especialistas consultados pelo InfoMoney, notou-se que os núcleos da inflação — que excluem itens mais voláteis — aumentaram de 0,23% em agosto para 0,36% em setembro. O setor de serviços viu um salto ainda maior, passando de 0,03% para 0,61% no mesmo período.
Esse cenário gerou divisões entre analistas quanto às futuras direções da taxa de juros. O Comitê de Política Monetária (Copom) está agendado para se reunir no início de novembro. Atualmente, a Selic se encontra em 13,75% ao ano e está em meio a um ciclo de cortes.
Uma parte dos economistas defende a continuidade das reduções devido à desvalorização do câmbio e indícios de desaceleração econômica. Em contraste, outros especialistas sugerem uma pausa nas quedas; o Goldman Sachs acredita que há pouco espaço para novas reduções no curto prazo.
A economista Claudia Moreno do C6 Bank projeta que não haverá novos cortes na taxa neste ano e que a Selic deverá permanecer no nível atual até o final de 2026. Gabriel Foglieni da Eleva Invest antecipa que o Banco Central deve interromper o ciclo na próxima reunião.
A meta inflacionária estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional é definida como sendo 3%, com uma margem de tolerância que pode variar em até 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. De acordo com o regime contínuo de metas, considera-se descumprida essa meta apenas quando a inflação permanece fora desse intervalo por seis meses seguidos.

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