Nesta segunda-feira (26), o BTG Pactual apresentou um relatório que analisa a formação do quarto governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o documento, a eficácia na governabilidade está intimamente ligada à configuração ministerial, e a expectativa é de que Lula busque incluir uma maior quantidade de partidos centristas, abrangendo até mesmo algumas siglas que apoiaram Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições.
Possíveis candidatos para o Ministério da Fazenda
O vice-presidente Geraldo Alckmin figura entre os principais nomes cotados. O BTG acredita que sua indicação poderia indicar uma maior abertura para negociações relacionadas ao ajuste fiscal. No entanto, membros do PT defendem que a pasta deve ser ocupada por alguém com mais habilidade em articulação política no Congresso Nacional.
Outra possibilidade é o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, que é visto pelo PT como um profissional técnico e conciliador, com vivência no setor privado. O banco observa que sua saída do governo estadual complicaria a situação e ressalta sua falta de experiência em interações com o Congresso e na gestão das finanças federais.
O relatório aponta ainda que Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, não é considerado uma alternativa viável devido ao desgaste com o Palácio do Planalto ao longo de 2026, particularmente em relação à política de juros. O atual ministro Dario Durigan pode continuar em seu cargo, embora seu nome esteja sendo associado à presidência de uma instituição bancária pública. Bruno Moretti deve permanecer à frente do Planejamento.
Ajustes nas contas públicas
No tocante às finanças públicas, o BTG informa que a equipe econômica propõe medidas de ajuste a curto prazo, independentemente de quem venha a assumir a Fazenda. A principal proposta consiste em um projeto de lei complementar que obrigue o governo a buscar atingir a meta central de superávit primário de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2027, ao invés de se limitar ao limite inferior da meta estabelecida.
Essa mudança teria como consequência o aumento da parte das despesas sujeitas ao contingenciamento, ou seja, ao bloqueio de gastos para alinhar as despesas às receitas disponíveis. O banco alerta para o fato de que os efeitos podem ser limitados, visto que uma significativa parcela do Orçamento já está comprometida com despesas obrigatórias. Além disso, as chances de implementar mudanças mais profundas imediatamente – como alterações nas regras do salário mínimo e nos pisos da saúde e educação – são consideradas baixas.
A abordagem proposta pelo BTG consiste em duas fases: inicialmente ajustes na execução orçamentária e posteriormente reformas mais abrangentes, dependendo da disposição política do novo governo.

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