China restrige exportação de terras raras e impõe novas diretrizes para inteligência artificial antes do encontro com Trump

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Representantes dos Estados Unidos e da China se reuniram no último domingo (20) em Nova York para debater questões relacionadas a terras raras, diretrizes sobre inteligência artificial e a trégua tarifária que está programada para expirar em novembro. A discussão foi liderada pelo secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, e pelo vice-primeiro-ministro da China, He Lifeng, com a presença do representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, na sede do banco JPMorgan Chase.

Este encontro é um precursor da reunião entre Donald Trump e Xi Jinping, agendada para quinta-feira (24) na Casa Branca. No final das discussões, Bessent comentou que as conversas sobre comércio e inteligência artificial foram “bastante satisfatórias”, embora não tenha sido anunciado nenhum acordo concreto.

Um alerta mútuo sobre incidentes de inteligência artificial

A proposta norte-americana em discussão no campo tecnológico envolve a criação de um mecanismo de alerta entre os dois países para incidentes relacionados à inteligência artificial que possam ameaçar a segurança nacional. Bessent descreveu essa iniciativa como uma “visão compartilhada de objetivos e ameaças comuns”, o que implica notificar o outro país sempre que um sistema apresentar comportamentos inesperados.

No entanto, essa ideia parece modesta frente à disputa mais ampla sobre quem estabelece as regras tecnológicas. Enquanto os Estados Unidos buscam manter sua liderança em pesquisa e desenvolvimento, a China deseja influenciar a governança global nesse setor. Nenhum dos lados fez concessões significativas durante esta rodada de negociações.

O papel das terras raras na negociação

No tocante aos minerais críticos, autoridades norte-americanas expressaram preocupações sobre o fornecimento chinês, que permanece abaixo do esperado, mesmo após o compromisso da China de restabelecer o fluxo. A China é responsável por uma parte significativa do refino global desses minerais essenciais para semicondutores, equipamentos militares e geração de energia, o que lhe confere uma vantagem ao reagir à pressão tarifária sem necessidade de alardes.

Enquanto o fornecimento não é normalizado, a indústria americana enfrenta riscos de desabastecimento e aumento nos custos. Se a China mantiver esse fluxo restrito, empresas nos setores de tecnologia e defesa poderão ser forçadas a pagar preços mais altos ou buscar novos fornecedores, o que poderá refletir nos preços globais.

A trégua tarifária com prazo até novembro

A trégua atualmente em discussão originou-se de um encontro entre Trump e Xi na Coreia do Sul em outubro de 2025. Nesse momento, Washington concordou em reduzir tarifas em troca do controle chinês sobre precursores do fentanil, da retomada das compras de soja e da suspensão das restrições às exportações de terras raras. Em maio deste ano, durante uma cúpula em Pequim, a China também se comprometeu a adquirir aviões da Boeing e produtos agrícolas dos EUA.

Especialistas do mercado consideram improvável um acordo abrangente nesta rodada. O objetivo principal nas negociações deste domingo era evitar uma nova escalada antes do encontro previsto para quinta-feira; o silêncio sobre números sugere que ambas as delegações preferiram deixar qualquer anúncio importante para os presidentes.

Implicações para o Brasil

O Brasil entrou nessa disputa apenas cinco dias antes dessa reunião crucial. Em 16 de setembro, Lula sancionou uma lei sem vetos que institui a Política Nacional de Minerais Críticos, Estratégicos e Terras Raras. Essa política prevê até R$ 7 bilhões em incentivos financeiros, além de um crédito tributário de R$ 5 bilhões voltado ao processamento mineral no território nacional e um fundo garantidor com limite de até R$ 2 bilhões. Um conselho será criado para determinar quais minerais são considerados estratégicos.

A estratégia brasileira visa comercializar minério já beneficiado ao invés do bruto exatamente quando o monopólio chinês no refino se transforma em uma ferramenta diplomática poderosa. Cada rodada negociativa como a realizada no domingo avalia as oportunidades disponíveis para aqueles que possuem reservas e capacidade de processamento fora da China.

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