O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que se posiciona como pré-candidato à Presidência da República, declarou nesta segunda-feira (1º) que a operação realizada pela Polícia Civil de São Paulo na produtora Go UP Entertainment está “totalmente desvinculada” do documentário ‘Dark Horse’, que retrata seu pai, Jair Bolsonaro (PL). A afirmação foi feita rapidamente ao chegar a um evento no Rio de Janeiro, sem entrar em pormenores sobre a situação.
Entretanto, uma reportagem revelou que o delegado encarregado da investigação levantou ‘fortes suspeitas’ de desvio de verbas públicas da Prefeitura de São Paulo destinadas à realização do filme. As investigações se concentram em um contrato de R$ 108 milhões referente ao programa WiFi Livre SP, administrado pelo ICB (Instituto Conhecer Brasil), presidido por Karina Ferreira da Gama, também proprietária da produtora.
A operação, autorizada pela Vara de Garantias do TJ-SP, envolveu buscas na sede da Go UP Entertainment, na casa de Karina, na Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia e na sede do ICB. O delegado destacou indícios de uma possível confusão patrimonial entre o instituto e a produtora, sugerindo a existência de lavagem de dinheiro para custear o filme.
A defesa de Flávio Bolsonaro tenta desvincular o nome da família de um escândalo que entrelaça verba pública com propaganda política pessoal. O pré-candidato esteve presente no evento Prisma-RJ, ao lado do presidente da Alerj, Douglas Ruas (PL-RJ), que também se prepara para concorrer ao governo fluminense, e evitou dar declarações aos jornalistas após o compromisso.
A situação revela um padrão obscuro no financiamento que envolve a narrativa bolsonarista: enquanto Flávio se posiciona como defensor da ética, seus aliados estão sob investigação por suposto desvio de recursos públicos relacionados ao Wi-Fi para promover o ex-presidente inelegível. A atuação da Polícia Civil de São Paulo, sob a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos), não é vista como uma ação persecutória, mas sim como resultado de um pedido formal do Ministério Público.
No evento realizado em um hotel carioca, Flávio discursou sobre os R$ 26 milhões em emendas destinados ao projeto do metrô da Coppe/UFRJ, apresentando-o como exemplo positivo do uso adequado dos recursos públicos. Essa abordagem parece ser uma tentativa de responder às notícias desfavoráveis com uma imagem mais cuidadosa como gestor; contudo, as questões sem resposta permanecem.
Embora a investigação esteja apenas começando, já coloca a família Bolsonaro no epicentro de mais uma denúncia sobre o uso impróprio da máquina pública para interesses privados. O filme ‘Dark Horse’, que deveria funcionar como um trunfo na campanha, pode acabar simbolizando as contradições presentes na trajetória dos herdeiros políticos do bolsonarismo.
Com vistas à campanha presidencial de 2026, este escândalo pode prejudicar a imagem de ‘nova política’ que Flávio busca cultivar, gerando incertezas sobre a origem dos fundos utilizados na produção da maior peça publicitária já criada pelos bolsonaristas. A resposta sucinta do senador, sem elucidações adicionais, apenas intensifica as notícias desfavoráveis sobre sua figura.
