O fechamento de mais de 31 mil empresas na Argentina evidencia os danos severos causados pela política econômica adotada pelo presidente Javier Milei. Essa informação foi divulgada por uma reportagem da BBC News Brasil, que se baseou em dados fornecidos por órgãos públicos e associações empresariais do país.
A gestão atual em Buenos Aires resultou em uma perda aproximada de 270 mil empregos formais. O colapso significativo de pequenos e médios empreendimentos é consequência da queda no consumo popular, intensificada pela desvalorização dos salários.
A diminuição inicial dos índices de inflação na Argentina ocorreu à custa de uma forte recessão e do colapso generalizado de fornecedores locais. Essa redução nos preços foi acompanhada pelo empobrecimento do poder aquisitivo da população, um fator que paralisou a atividade econômica real.
O ex-senador Roberto Requião costumava afirmar que a ausência de inflação também é observada na Antártica. A experiência histórica demonstra que um controle eficaz e duradouro dos preços depende da ampliação da produção e da criação de empregos, em vez do estrangulamento das atividades produtivas.
Em contrapartida, o Brasil vem adotando uma abordagem diferente em sua política macroeconômica. O país está prestes a concluir um ciclo de quatro anos com a menor inflação acumulada em tempos recentes, ao mesmo tempo em que continua gerando empregos e mantém suas metas fiscais equilibradas.
A dívida pública brasileira permanece totalmente expressa em moeda nacional. Em contraste, a economia argentina enfrenta desafios devido à sua dependência crônica do dólar e à fragilidade de suas reservas cambiais.
Os perigos da adoção do modelo argentino pela oposição
<pNo contexto político atual, Daniella Marques, que coordena a agenda econômica da campanha do senador Flávio Bolsonaro, mencionou o governo de Javier Milei como exemplo para desburocratizar e reduzir impostos. Essa proposta surge enquanto a oposição busca estruturar seu plano econômico para as eleições de 2026.
Empresários brasileiros e integrantes da classe média têm razões suficientes para temer que esse modelo possa ser implementado no Brasil. A experiência argentina demonstra que a obsessão fiscal não resulta em uma prosperidade sustentável.

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