Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do Brasil, revelou a criação do programa Brasil Contra o Crime Organizado, uma ação que destina R$ 11 bilhões para combater facções e milícias que atuam em diversas regiões do país.
Desses recursos, R$ 10 bilhões serão disponibilizados através de linhas de crédito do BNDES direcionadas aos estados, enquanto o restante — R$ 1 bilhão — será oriundo diretamente do orçamento federal.
A adesão ao programa por parte dos estados ocorrerá mediante decreto e portarias emitidas pelo governo central. Essa formalização é necessária para que os estados possam acessar os recursos oferecidos pelo banco.
A iniciativa se organiza em quatro pilares principais: sufocamento financeiro das organizações criminosas, fortalecimento da segurança no sistema prisional, aprimoramento das investigações de homicídios e combate ao tráfico de armamentos.
Uma pesquisa realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelou que mais de 68 milhões de brasileiros vivem sob a influência de grupos criminosos em suas comunidades. Esse dado destaca a magnitude do desafio enfrentado pelas autoridades em todas as partes do país.
A percepção pública sobre a gestão da segurança também influencia a proposta. Estudos mostram que 32% dos participantes consideram a atuação do governo federal nessa área como “péssima”, enquanto outros 24,1% a avaliam como “ruim”.
Essas estatísticas pressionam o governo a oferecer soluções efetivas em um ano eleitoral. O novo programa complementa operações já existentes, como Carbono Oculto e Compliance Zero.
O objetivo dessas operações é atacar os níveis superiores das organizações criminosas — ou seja, as estruturas financeiras e de comando responsáveis por sustentar essas facções, em vez de apenas focar nos executores nas ruas. O conceito de asfixia econômica é um elemento central que une essas iniciativas.
A oposição já manifestou intenção de explorar a questão da segurança pública durante as campanhas eleitorais de 2026. Assim, o lançamento desse programa representa uma resposta tanto política quanto institucional: demonstra ao eleitorado que essa temática é uma prioridade e estabelece uma rede de financiamento que conecta os estados à estratégia federal.
No entanto, o programa enfrenta o desafio histórico da coordenação entre União e estados, visto que as polícias civis e militares são constitucionalmente encarregadas pela segurança pública. A eficácia dessa abordagem dependerá significativamente da colaboração dos governadores e da capacidade de execução dos recursos dentro dos prazos estipulados.
Leia mais sobre o assunto na Carta Capital.
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