O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, reiterou que manterá sua pré-candidatura à Presidência da República até o fim, descartando a possibilidade de concorrer como vice na chapa de Flávio Bolsonaro. Em entrevista ao Valor Econômico, Zema afirmou que sua candidatura visa “contribuir com o debate” e “provocar mudanças”, enfatizando que uma eventual vitória eleitoral seria resultado de um trabalho consistente, não a principal meta da campanha.
Zema foi o primeiro a anunciar a intenção de se candidatar ao Planalto em agosto de 2025 e segue firme em seu projeto, mesmo diante de articulações políticas para alianças com outros pré-candidatos.
O governador destacou que está ciente do baixo nível de conhecimento nacional sobre ele, mas enxerga isso como uma etapa natural de sua trajetória política. Ele mencionou melhorias em Minas Gerais durante sua gestão e criticou o Partido dos Trabalhadores pelo cenário deixado no estado.
Estratégia para ampliar visibilidade nacional
Zema reconhece que ainda precisa aumentar sua visibilidade nacional, mas acredita que, conforme fez em Minas Gerais, poderá aumentar sua projeção após deixar o cargo. Ele planeja divulgar os resultados de sua gestão e suas propostas para o país.
O governador defende que propostas consistentes são mais relevantes para o eleitorado do que alianças políticas regionais, mostrando segurança em sua estratégia eleitoral. Ele afirmou não ter “constrangimento” em fazer campanha onde não há apoio local.
Distanciamento de polos políticos
Zema admitiu que enfrenta rejeição de eleitores ligados tanto a Lula quanto a Bolsonaro, destacando suas diferenças em relação ao atual presidente. Ele ressaltou seu compromisso com a transparência administrativa, afirmando não possuir parentes ocupando cargos em seu governo.
Ataques ao Judiciário e defesa de impeachment
Zema criticou o STF e defendeu o impeachment de ministros, demonstrando uma postura firme em relação à conduta dos magistrados. Ele espera uma renovação no Senado para viabilizar esse processo e se mostra bastante crítico em relação à situação do país.
Agenda econômica e propostas de reformas
O governador alertou para o risco fiscal do país e destacou a importância de conter gastos para reduzir juros e estimular o crescimento econômico. Ele defendeu reformas na Previdência e na administração pública, bem como a revisão de programas sociais com regras mais rigorosas.
Situação fiscal de Minas e privatizações
Zema contestou relatórios sobre a situação fiscal de Minas Gerais e afirmou manter os pagamentos em dia, apesar da frustração na arrecadação. Ele destacou que o calendário eleitoral pode afetar avanços nas privatizações das estatais.
Discurso político e posicionamento eleitoral
Zema pretende se posicionar como uma alternativa de direita, combinando a defesa de ajuste fiscal, críticas às instituições e o discurso de gestão. Ao sinalizar independência política em relação a Flávio Bolsonaro, ele busca consolidar uma identidade própria na corrida presidencial.
O desafio de Zema é expandir sua visibilidade nacional e reduzir resistências eleitorais sem perder o apoio de setores que defendem reformas profundas e posições mais rígidas contra as instituições.
