Conflito entre Talarico e Paxton desafia dominação republicana no Texas

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Nesta terça-feira (3), os cidadãos do Texas estão votando em uma das competições mais disputadas para o Senado nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. A oposição luta para quebrar um longo período sem vitórias em nível estadual, que perdura desde 1994. Em contrapartida, os representantes do governo se esforçam para preservar um bastião crucial que garante sua maioria no Congresso em Washington.

O confronto eleitoral coloca o procurador-geral republicano Ken Paxton frente a frente com o deputado estadual democrata James Talarico, testando a disposição dos eleitores locais diante dos processos éticos que cercam o atual titular. Além disso, a votação avaliará se a mensagem populista e religiosa de Talarico consegue ressoar em um estado que foi amplamente vencido pelo ex-presidente Donald Trump há dois anos.

A corrida eleitoral ganhou destaque nacional em termos financeiros após o bilionário Elon Musk, residente do Texas e considerado o homem mais rico do mundo, se tornar o principal investidor individual na campanha. Musk contribuiu com US$ 168 milhões diretamente para dois supercomitês que apoiam a candidatura republicana ao Senado texano.

Uma vaga sem vitória democrática há três décadas

Desde 1994, o maior colégio eleitoral conservador dos Estados Unidos não elege um representante democrático para cargos estaduais. Contudo, as divisões internas na direita e os desafios econômicos atuais tornaram esta eleição mais competitiva. Durante as prévias partidárias, Paxton superou o experiente senador John Cornyn após receber apoio tardio do presidente da República.

A mudança de candidato gerou preocupações entre estrategistas republicanos no Senado, que temiam que Paxton fosse vulnerável ao eleitorado moderado suburbano. Ao mesmo tempo, a insatisfação popular com os altos preços da gasolina, alimentação e planos de saúde, além da guerra contra o Irã, diminuiu a aprovação do governo federal.

<pNesse contexto desfavorável, Talarico focou sua estratégia em retratar Paxton como um símbolo de um sistema político onde grandes fortunas exercem poder excessivo enquanto famílias enfrentam aumento no custo de vida. Com isso, ele busca atrair tanto conservadores moderados quanto eleitores independentes, evitando ataques diretos ao partido rival e enfatizando que a disputa é entre bilionários e a classe trabalhadora.

Contribuições milionárias nos supercomitês do Texas

A retórica oposicionista ganhou força à medida que os recursos financeiros de Musk chegaram à campanha. Segundo documentos apresentados à Comissão Eleitoral Federal (FEC), Musk fez uma doação de US$ 75 milhões no dia 9 de setembro e outros US$ 83 milhões em 23 de setembro — totalizando US$ 158 milhões — ao Senate Leadership Fund, o principal super PAC dos republicanos no Senado.

Um dia após cada uma das doações, esse fundo transferiu exatamente os mesmos US$ 158 milhões para o grupo Texas PAC, criado especificamente para veicular propaganda favorável a Paxton. Além disso, em agosto, a fundação de Musk contribuiu com mais US$ 10 milhões ao Lone Star Liberty PAC, outra estrutura voltada à candidatura do procurador-geral, somando assim os US$ 168 milhões reportados na corrida senatorial texana.

Nos relatórios trimestrais entregues à FEC em 15 de outubro — que sustentaram uma cobertura sobre aportes próximos a US$ 190 milhões — também foi registrada uma contribuição adicional de US$ 20 milhões por parte de Musk ao Congressional Leadership Fund (super PAC da liderança republicana na Câmara). Com isso, somando-se aos recursos destinados aos dois comitês do Senado alcança-se um total de US$ 188 milhões. O America PAC também recebeu mais de US$ 80 milhões entre julho e setembro para atuar tanto no Texas quanto em outras eleições do Congresso.

Com essa avalanche financeira promovendo anúncios nas emissoras, totalizando mais de US$ 159 milhões segundo a AdImpact, Talarico começou a mencionar esses valores em seus eventos públicos. Para ele, essa quantia evidencia uma tentativa clara de compra da cadeira texana no Congresso.

Impeachment e suas repercussões na composição congressual

No dia decisivo da eleição, Paxton carrega consigo as consequências do impeachment aprovado pela câmara baixa estadual em 2023 sob acusações de corrupção; ele foi absolvido pelos senadores do seu próprio partido após enfrentar esse processo. Durante essa tramitação legislativa surgiram denúncias pessoais envolvendo sua vida conjugal e sua esposa, Angela Paxton — senadora estadual — solicitou divórcio baseado em fundamentos bíblicos.

Para mobilizar sua base conservadora — historicamente superior à oposição nas urnas — Paxton participou de comícios ao lado do ex-presidente Trump e apresentou Talarico como um candidato progressista demais para os padrões locais. A campanha republicana explorou declarações passadas controversas do democrata sobre religião e gênero, incluindo comentários sobre Deus ser não binário e referências a artistas drag.

Talarico se distanciou parcialmente dessas declarações passadas ao classificá-las como constrangedoras e manifestou-se contra a participação de atletas transgêneros em competições femininas quando isso representar risco à segurança ou à equidade esportiva. Em seus encontros pelo interior do estado adotou um tom pastoral buscando ouvir as reclamações econômicas dos cidadãos enquanto seu adversário se apoiava na sua trajetória ligada às batalhas culturais que incluem tentativas fracassadas de reverter os resultados das eleições presidenciais de 2020.

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