Atualmente, a quantidade de eleitores que aprovam o governo de Lula supera o número daqueles que afirmam votar nele. Essa discrepância representa um potencial de votos a ser explorado pela campanha, conforme análise realizada por Felipe Nunes, diretor da Quaest.
A lógica por trás disso é clara: a taxa de aprovação indica quantas pessoas estão inclinadas a apoiar o presidente nas urnas, enquanto as campanhas eleitorais têm como objetivo transformar essa disposição em votos efetivos.
“A aprovação serve como base, e a conversão se dá através da campanha”, afirma Nunes, que também leciona na FGV.
O cientista político analisou dados referentes a 25 estados. Em média, a intenção de voto em Lula é equivalente a 76% da sua taxa de aprovação; quanto mais positiva for a avaliação do governo, maior será o número de votos recebidos pelo presidente.
No Nordeste, essa aprovação se traduz praticamente em apoio total. No Rio Grande do Norte, 90% dos que aprovam sua gestão planejam votar em Lula, enquanto os estados do Maranhão, Sergipe, Piauí e Pernambuco apresentam índices superiores a 87%.
Uma informação encorajadora está em regiões onde ainda há margem para crescimento: no Amazonas, 54% das pessoas aprovam o governo, mas apenas 38% declaram voto no presidente, resultando em uma diferença de 16 pontos prontos para serem conquistados durante a campanha.
Em Goiás, Roraima e Paraná também se observa uma tendência similar, com apenas seis entre dez eleitores que aprovam o governo manifestando intenção de voto em Lula. Nesses locais, Nunes identifica oportunidades para ampliação do apoio através de propagandas no rádio e na televisão.
No estado de São Paulo, a situação apresenta características distintas. A taxa de aprovação é menor (37%), mas quase toda já se converteu em votos, caracterizando um suporte firme que é protegido pela polarização existente.
Nunes ainda destaca que Lula já conseguiu conquistar eleitores além do seu núcleo mais fiel. No levantamento realizado pelo Datafolha em agosto, 33% avaliavam o governo como ótimo ou bom, enquanto 39% afirmavam que votariam no presidente.
Isso sugere que até mesmo aqueles que consideram sua gestão regular estão optando por Lula. Esse fenômeno foi observado anteriormente com FHC em 1998, Lula em 2006, Dilma em 2014 e Bolsonaro em 2022, todos obtendo votação superior ao grupo dos apoiadores mais entusiasmados.
A Quaest desenvolveu um modelo baseado em 143 eleições ocorridas em 18 países da América Latina. Segundo esse modelo, um presidente com 46% de aprovação tem uma probabilidade de reeleição de 52%. No Datafolha de agosto, Lula aparece com 48%, colocando-o dentro da faixa onde a reeleição se torna viável.
Nunes enfatiza que esse modelo deve ser visto como uma referência histórica e não como uma previsão exata. Contudo, os dados posicionam Lula numa situação favorável para uma possível reeleição.
Minas Gerais se destaca como um foco crucial para a campanha: com uma taxa de aprovação de 41%, ela apresenta uma conversão impressionante de 73%, sendo um dos maiores colégios eleitorais do Brasil. Cada ponto conquistado nesse estado tem grande relevância.
Em suma, o diretor da Quaest conclui que Lula inicia sua jornada eleitoral com uma base maior do que os votos atualmente contabilizados. O desafio da campanha será traduzir essa vantagem nas urnas em outubro.

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