Um novo elemento técnico complicou ainda mais a situação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Conforme uma reportagem publicada nesta terça-feira (1º), Moraes teria editado a versão final do contrato de alto valor assinado entre o escritório de sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, e o Banco Master. Essa informação foi obtida a partir dos metadados de um arquivo encontrado no celular de Vorcaro, que foi apreendido durante a Operação Compliance Zero.
A investigação revelou que Viviane enviou o contrato ao banqueiro em 11 de janeiro de 2024. Quatro dias depois, Vorcaro devolveu o documento com sugestões de revisão e uma nota mencionando a inclusão de uma cláusula. A versão revisada — que retornou para Viviane já modificada — teria sido aberta e alterada no sistema Office 365 vinculado ao próprio ministro Alexandre de Moraes, conforme os metadados analisados pela reportagem.
Se confirmada, essa informação representa uma mudança significativa em relação ao que já havia sido divulgado sobre o caso até agora. Nos últimos meses, foram documentadas várias conexões entre a família Moraes e o banqueiro investigado: um contrato inicial no valor de R$ 129 milhões entre o escritório de Viviane e o Banco Master, firmado entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025; um pagamento efetivo de R$ 80,2 milhões identificado pela Receita Federal; a minuta do contrato enviada diretamente por Viviane a Vorcaro via WhatsApp; além de pelo menos oito viagens do casal em aeronaves associadas a empresas do banqueiro. Também houve uma mensagem de “visualização única” enviada por Moraes a Vorcaro horas antes da prisão deste no aeroporto de Guarulhos. Contudo, até então não existia qualquer evidência que indicasse que o próprio ministro tivesse interferido diretamente no conteúdo do contrato — até esse momento, a defesa sustentava que ele não participava dos negócios da esposa com o Banco Master e havia emitido notas oficiais negando qualquer relação além de contatos esporádicos com Vorcaro e desconhecimento sobre os empresários vinculados às aeronaves utilizadas pelo casal.
A edição dos metadados não implica automaticamente na natureza da participação de Moraes — pode variar desde uma simples abertura acidental do arquivo em um dispositivo ou conta compartilhada até alterações diretas em cláusulas contratuais relevantes para os interesses do banco junto ao Banco Central, Receita Federal e Congresso Nacional, todos abrangidos pelo próprio contrato. Essa é uma distinção que apenas uma investigação mais detalhada poderá elucidar — e a falta de qualquer manifestação pública do STF ou da defesa sobre esse tópico específico até o fechamento desta matéria destaca a necessidade de tratar essa informação como preliminar.
O timing dessa revelação também é significativo: ocorre em meio aos esforços do círculo próximo a Flávio Bolsonaro para utilizar esse contrato como argumento para solicitar a suspeição de Moraes em processos relacionados ao Banco Master — estratégia política anteriormente identificada como tentativa de afastar um relator desfavorável ao bolsonarismo das investigações que atualmente envolvem Flávio e o financiamento do filme Dark Horse. Se confirmadas as informações em profundidade, isso pode fortalecer essa linha argumentativa — independentemente da gravidade jurídica real que os metadados possam revelar.
Dada a natureza preliminar da informação — baseada em uma única reportagem sem resposta institucional do STF e com o veículo original indicando “matéria em atualização” — é necessário acompanhar os desdobramentos nas próximas horas e dias, evitando conclusões precipitadas sobre o grau real da implicação de Moraes no conteúdo do contrato, que agora se torna um ponto crítico na complexa relação entre o Banco Master, o Supremo Tribunal Federal e os assuntos políticos nacionais.
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