Trump afirma que o Irã enfrentará sua ruína nesta noite, como se tivesse controle sobre a nação

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Ultimato se aproxima e presidente dos EUA adverte sobre a possível destruição da infraestrutura civil do Irã

Nesta terça-feira (7), o presidente norte-americano Trump lançou um alerta global, ao afirmar que “uma civilização inteira poderá perecer esta noite, sem chance de renascimento”, referindo-se ao Irã. Sua declaração ocorreu enquanto o prazo que ele mesmo estipulou para um acordo envolvendo o Estreito de Ormuz se esgotava. A mensagem foi divulgada na plataforma Truth Social. “Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada. Eu não desejo que isso aconteça, mas parece que é o que ocorrerá. […] Teremos a confirmação esta noite, em um dos capítulos mais significativos da longa e complexa história mundial. 47 anos de extorsão, corrupção e morte finalmente chegarão ao fim. Deus abençoe o grande povo do Irã!”, afirmou.

O limite estabelecido por Trump era às 20h no horário de Washington, ou 21h em Brasília. Entretanto, vale lembrar que ele já havia ignorado prazos semelhantes nas semanas anteriores, sempre prorrogando-os conforme a data se aproximava.

No último domingo (5), ele havia advertido sobre a possibilidade de bombardear alvos iranianos caso Teerã não reabrisse o Estreito de Ormuz, uma rota vital para o comércio global de energia. Na segunda-feira (6), suas declarações foram ainda mais contundentes. Ele mencionou que os Estados Unidos possuem um plano para eliminar pontes e usinas elétricas no Irã. “Quero dizer, demolição total até meia-noite”, declarou.

Os alvos identificados incluem poços de petróleo e instalações de dessalinização, elementos essenciais para a sobrevivência da população civil iraniana.

Esse aspecto gerou divergências entre especialistas em direito internacional. Margaret Donovan, ex-advogada do Corpo Jurídico do Exército dos EUA, foi clara: “Estamos presenciando basicamente uma ameaça direta a algo que sabemos que terá consequências catastróficas para os civis.”

Ela acrescentou: “Muitos ex-advogados militares e juristas hesitaram em afirmar que qualquer ataque à infraestrutura civil configura um crime de guerra, já que existem circunstâncias em que isso pode ser justificado. No entanto, a retórica do presidente neste final de semana mudou nossa perspectiva sobre essa questão.”

As Convenções de Genebra proíbem ataques a estruturas indispensáveis à sobrevivência das populações civis, como estações de tratamento de água. Um alvo só poderia ser considerado legítimo se tivesse utilização militar demonstrável. Contudo, Trump ameaçou destruir todas as usinas elétricas do Irã indiscriminadamente.

A resposta do Irã foi desafiadora. Ebrahim Zolfaqari, porta-voz do Quartel-General Khatam al-Anbiya, rotulou as ameaças como “infundadas” e “delirantes”. Ele alertou: “Se os ataques contra alvos não civis continuarem, nossa retaliação será muito mais vigorosa e em uma escala consideravelmente maior.”

Nos bastidores da diplomacia, a tensão é palpável. Vários países têm contatado Washington em particular para expressar preocupações sobre os riscos associados aos ataques. Nações da região do Golfo temem represálias iranianas contra suas próprias infraestruturas civis; no entanto, a maioria tem evitado criticar publicamente Trump.

As negociações mediadas por Paquistão, Egito e Turquia foram suspensas na semana passada. Uma proposta para um cessar-fogo de 45 dias apresentada pelos mediadores foi rejeitada por ambas as partes. Trump considerou-a um “passo significativo”, mas insuficiente. O Irã apresentou uma contraproposta com dez pontos exigindo o término permanente das hostilidades.

A situação atual envolve não apenas o futuro do Irã; um conflito aberto no Estreito de Ormuz teria repercussões diretas sobre o preço do petróleo no mercado global, afetando imediatamente a inflação e os combustíveis no Brasil.

Com informações adicionais disponíveis nas agências Reuters e CNN.

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