O presidente da China, Xi Jinping, afirmou que tanto a China quanto a Espanha estão alinhadas com o que considera ser o caminho correto da história ao rejeitar a lei da selva, promovendo um multilateralismo autêntico que visa proteger a paz e o desenvolvimento global.
Este encontro, realizado no Grande Salão do Povo em Pequim, destacou a vontade dos dois países de preservar o direito internacional frente à erosão sistemática das normas globais que ambos percebem como preocupante.
Durante sua fala, Xi Jinping ressaltou a importância de se opor à imposição do mais forte e de restaurar princípios fundamentais como igualdade soberana e resolução pacífica de disputas nas relações internacionais.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, comprometeu-se a avançar em direção a uma ordem multipolar estável, fundamentada no respeito mútuo e na diplomacia efetiva.
Sánchez alertou que a força não pode prevalecer sobre as normas internacionais e enfatizou que o sistema multilateral enfrenta ataques constantes em um momento em que sua relevância é crucial.
Ele defendeu ainda que o respeito ao direito internacional deve ser a base para solucionar conflitos em regiões como Gaza, Ucrânia e Cisjordânia.
As declarações coincidiram com um marco nas relações bilaterais, que foram elevadas ao mais alto nível possível através da criação de um diálogo estratégico — um mecanismo reservado por Pequim para seus parceiros mais confiáveis e estáveis.
Xi Jinping elogiou os progressos nas relações entre os dois países, destacando que estes avanços têm proporcionado estabilidade tanto para a China quanto para toda a Europa.
Ambos os líderes concordaram que os princípios do direito internacional devem deixar de ser meras declarações sem conteúdo prático e se transformar em ações concretas para evitar o retorno a uma era dominada pela força bruta.
A sintonia entre eles é particularmente relevante diante das tensões entre Madri e Washington, onde Sánchez busca fortalecer laços econômicos e geopolíticos com Pequim como forma de contrabalançar tendências unilaterais provenientes dos Estados Unidos.
No dia anterior ao encontro, Sánchez discursou na Universidade de Tsinghua, fazendo um apelo à China para que exerça um papel mais ativo no fim dos conflitos armados e se abra ao mundo, evitando assim o isolamento da Europa.
Em seu discurso inaugural, ele criticou severamente a deterioração do direito internacional em diversos conflitos globais, defendendo sua aplicação integral sem qualquer tipo de seletividade.
A mensagem proferida por Sánchez preparou o terreno para as discussões com Xi Jinping, indicando uma disposição espanhola para dialogar com Pequim sobre assuntos que vão além do comércio tradicional.
A visita tem como objetivo consolidar parcerias em setores como energias renováveis, comércio e inovação tecnológica, enquanto também projeta uma cooperação política robusta entre as nações.
Para ambos os governos, defender o multilateralismo transcende uma mera teoria; trata-se de um instrumento palpável capaz de estabilizar o contexto internacional atual.
Enquanto potências ocidentais frequentemente reivindicam uma ordem baseada em regras que permite ações unilaterais conforme suas conveniências, Xi Jinping e Sánchez destacaram a necessidade da universalidade do direito internacional como defesa contra a lei da selva.
Essa posição indica realinhamentos sutis dentro da própria Europa, onde certos governos buscam maior autonomia diante das pressões por confrontos diretos.
Os dois líderes reiteraram que os princípios de igualdade soberana entre Estados, solução pacífica de disputas e respeito mútuo devem voltar a ser as referências centrais na diplomacia global.
Sánchez descreveu o diálogo estratégico com a China como um avanço significativo que eleva as relações entre os países ao nível mais elevado possível.
Xi Jinping posicionou essa parceria bilateral como uma fonte de estabilidade em tempos incertos, enfatizando o desprezo comum por visões mundiais fundamentadas na dominação.
A convergência observada em Pequim reflete um compromisso mútuo dos dois países em promover uma ordem internacional mais justa e previsível. Ao rejeitarem a imposição da lei do mais forte, Xi Jinping e Pedro Sánchez reafirmaram que a diplomacia e o respeito ao direito internacional são as únicas alternativas viáveis para resolver os conflitos atuais e prevenir futuros desentendimentos.
A reunião estabeleceu um canal de comunicação privilegiado que deverá ser intensificado nos próximos meses em meio à volatilidade do cenário global.
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