Nesta segunda-feira (7), a Huawei apresentou a nova série Mate XT2, um dispositivo que se dobra duas vezes e proporciona uma tela com dimensões similares às de um tablet. Segundo informações da fabricante, o desempenho geral do aparelho é 42% superior ao da versão anterior, com preços iniciando em 19.999 yuans, aproximadamente R$ 15.280 na conversão atual.
As vendas do Mate XT2 terão início no dia 12 de setembro. A variante mais cara estará disponível por 24.999 yuans, cerca de R$ 19.100, o que pode limitar o acesso dos consumidores às melhorias em processamento, consumo energético e qualidade da tela.
Chip desenvolvido em resposta a restrições dos EUA
O novo dispositivo é equipado com o chip Kirin 9050 Pro e utiliza a inovadora arquitetura chamada LogicFolding, que significa dobramento lógico. A Huawei destaca que essa tecnologia proporciona maior capacidade computacional com um consumo energético reduzido.
A empresa afirmou que essa abordagem está alinhada a uma estratégia interna chamada Lei de Escala de Tau, apresentada em maio como uma forma de contornar as restrições impostas pelos Estados Unidos sobre o acesso a componentes tecnológicos avançados. O governo norte-americano classifica a Huawei como uma ameaça à segurança nacional, uma acusação que a empresa nega veementemente e que resultou em barreiras que afastaram seus produtos do mercado americano. No Brasil, embora não venda celulares oficialmente, a Huawei colabora com o governo federal em um projeto relacionado à supercomputação e inteligência artificial, anunciado em agosto.
Esse lançamento evidencia que as sanções tecnológicas não impediram a fabricante chinesa de avançar no desenvolvimento de novos processadores e manter sua relevância no segmento premium. A pressão dos EUA para restringir essa capacidade levou a Huawei a buscar intensamente uma arquitetura própria, embora os dados sobre desempenho ainda precisem ser confirmados por testes independentes.
Richard Yu, diretor-executivo da empresa, mencionou durante o evento que parte do preço elevado se deve ao aumento nos custos dos componentes. “Atualmente, definir os preços é um desafio real, já que os custos relacionados à memória subiram consideravelmente. Implementamos várias tecnologias novas e enfrentamos grande pressão sobre os custos”, explicou ele.
Competição com Apple e Xiaomi
No segundo trimestre de 2026, conforme dados da International Data Corporation (IDC), a Huawei detinha 22,6% do mercado chinês de smartphones, enquanto a Apple tinha 18,1% e a Xiaomi contava com 12,4% da fatia do mercado.
No segmento de smartphones dobráveis, a Huawei foi responsável por 68% das remessas na China nesse mesmo período, segundo informações da Smart Analytics Global. A empresa continua sendo a única grande marca capaz de oferecer comercialmente um celular com duas articulações e três partes de tela.
A Xiaomi programou para hoje o lançamento de um modelo concorrente ao Mate XT2. Já a Apple tem agendada para quarta-feira (9) uma apresentação da sua nova linha de iPhones; há expectativa também sobre sua entrada no mercado de dispositivos dobráveis.
A sul-coreana Samsung lançou um modelo com três partes em dezembro passado, mas suspendeu as vendas após três meses devido à baixa aceitação. O Mate XT2 apresenta um mecanismo de dobra reformulado, resistência aprimorada à água, câmeras atualizadas e um recurso que dificulta a visualização da tela por pessoas próximas.
A melhoria de desempenho anunciada pela Huawei foi calculada pela própria empresa e ainda precisa ser verificada em testes externos. A disputa agora se concentra nas vendas programadas para começar em 12 de setembro e na capacidade dos concorrentes em oferecer dispositivos dobráveis com preços mais acessíveis.

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