ONG associada à produtora de Dark Horse registra crescimento de 170 vezes em seu faturamento em apenas três anos

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A produtora responsável por Dark Horse, a cinebiografia de Jair Bolsonaro, se vê novamente no centro de polêmicas relacionadas a empresas, ONGs e contratos públicos com características pouco claras. Informações da Receita Federal indicam que há vínculos entre organizações associadas à empresária Karina Ferreira da Gama, que é proprietária da Go Up Entertainment e preside o Instituto Conhecer Brasil, instituição sob investigação devido a contratos milionários firmados com o governo.

Essa situação levanta uma questão que persegue o projeto desde seu surgimento nas investigações: como uma produtora sem um histórico significativo no cinema brasileiro conseguiu se conectar a um filme internacional de grande orçamento sobre Bolsonaro, enquanto entidades ligadas à sua fundadora acumulavam contratos públicos questionáveis?

Conforme uma perícia privada ligada a uma investigação do Instituto Conhecer Brasil, a Go Up Entertainment declarou ter despesas em torno de R$ 75 milhões para a realização do filme. O orçamento inicialmente aprovado era estimado em aproximadamente R$ 89,7 milhões.

O Instituto Conhecer Brasil também enfrenta apurações referentes a um contrato com a Prefeitura de São Paulo para a instalação de pontos de Wi-Fi gratuito em comunidades carentes. Segundo informações da Agência Brasil, a ONG teria apresentado ao município notas fiscais totalizando pelo menos R$ 16,5 milhões que foram consideradas irregulares, inseridas em um contrato que previa a instalação de 5 mil pontos de acesso.

A Agência Pública ainda destacou que uma auditoria realizada pelo TCU já havia classificado o Instituto Conhecer Brasil como uma entidade “de fachada” em 2012. Anos mais tarde, essa mesma organização assinou um contrato no valor de R$ 108 milhões com a administração de Ricardo Nunes, valor que foi posteriormente aumentado para mais de R$ 157 milhões, mesmo tendo entregue apenas parte dos pontos previstos inicialmente.

A Folha revelou que empresas e associações vinculadas a Karina Ferreira da Gama — incluindo o ICB, o Conhecer Brasil e a Go Up — registravam na Receita Federal um endereço virtual na Avenida Paulista. Essa informação intensifica as dúvidas sobre a estrutura empresarial relacionada ao filme e provoca questionamentos sobre sua capacidade operacional, governança e rastreabilidade financeira.

A questão mais delicada do ponto de vista político é que Dark Horse transcendeu sua condição de simples projeto audiovisual. O filme agora simboliza uma rede complexa que combina bolsonarismo, financiamento privado, contratos públicos, organizações sem fins lucrativos e suspeitas quanto ao uso inadequado de recursos.

Ainda não houve reconhecimento de irregularidades por parte dos envolvidos. Flávio Bolsonaro já declarou que as investigações sobre a produtora “não têm relação com o filme”. A produtora também afirma que não foram utilizados recursos públicos para financiar a produção.

No entanto, as revelações constantes tornam o caso cada vez mais problemático para os apoiadores da direita. Uma cinebiografia destinada a exaltar Bolsonaro como um herói acabou se transformando em um campo fértil para questionamentos sobre financiamento, bastidores empresariais e possíveis ligações entre propaganda política e verbas públicas.

No cerne da controvérsia está uma indagação clara: Dark Horse representa apenas uma produção privada ou faz parte de um esquema maior envolvendo influência política, contratos governamentais e movimentações financeiras obscuras?

Enquanto essa questão permanece sem resposta, cada nova informação obtida pela Receita Federal, pela polícia e pelos órgãos reguladores aumenta as incertezas sobre essa produção — convertendo o filme em mais um desafio para o bolsonarismo antes das eleições de 2026.

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