Brasil conquista reconhecimento da China como país livre de febre aftosa no agronegócio

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16 de junho de 2026 | Jornal da USP

No início deste mês, a Administração Geral das Alfândegas da China decidiu revogar as limitações à importação de carnes provenientes da região Norte do Brasil, reconhecendo o país como livre da febre aftosa. As restrições impostas pela China datam de 2002 e passaram por várias flexibilizações ao longo dos anos, até serem oficialmente terminadas em um anúncio feito em 2 de junho.

Thiago Bernardino de Carvalho, que é coordenador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, destacou que essa decisão é um marco significativo para a pecuária brasileira e fortalece as relações comerciais entre Brasil e China.

Sobre a febre aftosa

A febre aftosa é uma doença viral extremamente contagiosa que afeta principalmente bovinos, suínos, caprinos e ovinos. Embora o risco de transmissão para humanos seja considerado mínimo, a doença provoca sérios efeitos econômicos, como queda na produtividade, restrições nas exportações, aumento dos custos com controle sanitário e ações para erradicação do vírus.

Os primeiros casos da febre aftosa no Brasil foram registrados em 1895. Desde a década de 1960, o país vem adotando campanhas sistemáticas para combater a doença. Ao mesmo tempo, o crescimento populacional e o aumento do consumo de carne na China nos séculos 20 e 21 fortaleceram os laços comerciais com o Brasil, enquanto elevavam as exigências sanitárias do mercado chinês.

Fim das restrições pode ampliar vendas

O Brasil se destaca atualmente como o maior exportador mundial de carne bovina e frango. Em 2025, mais da metade das exportações brasileiras de carne bovina teve como destino a China, que é a maior importadora desse produto no mundo. Somente no primeiro trimestre de 2026, a nação asiática adquiriu aproximadamente US$ 3 bilhões em carnes brasileiras.

O reconhecimento do Brasil como livre da febre aftosa e o término das limitações comerciais devem impulsionar os negócios entre os dois países, especialmente favorecendo os produtores da região Norte, que estavam impedidos de vender para o mercado chinês. Ademais, a China está interessada em reforçar seus estoques estratégicos de alimentos para garantir a segurança alimentar da sua população.

No entanto, apesar das projeções otimistas para o agronegócio brasileiro, Bernardino alerta que a implementação de cotas de importação pelo governo chinês pode restringir o crescimento das compras externas. Essa estratégia visa proteger e fortalecer a produção interna chinesa.

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