Melisa Cabrapan Duarte, uma cantora e antropóloga pertencente ao povo mapuche, está à frente de um movimento que combate a exploração de recursos naturais, o machismo e a concentração de terras na Argentina. Residente na região de Neuquén, conhecida pela atividade de fracking, Melisa se destaca como porta-voz das 70 comunidades que integram a Confederação Mapuche de Neuquén.
Filha de um membro das Forças Armadas, Melisa não se via como parte da cultura mapuche em sua juventude. No entanto, sua trajetória acadêmica e pessoal a conduziu ao reconhecimento e à valorização de suas raízes. Ela é graduada em antropologia pela Universidade de Rio Negro, onde se tornou a primeira mulher a concluir o curso. Sua atuação inclui intervenções em disputas territoriais, enfrentando tanto corporações quanto autoridades governamentais e forças policiais.
A ativista também se engaja em movimentos indígenas que investigam os genocídios históricos perpetrados contra as populações originárias. Melisa lidera a banda Weway, cujo nome significa “vencerá”, ressaltando a importância da resistência cultural e musical na luta por direitos. Seu ativismo abrange questões ambientais, incluindo a proteção do lago Mari Menuco contra tentativas de perfuração por parte da YPF. A comunidade mapuche já conseguiu barrar quatro tentativas de exploração na área, mas continua atenta às ameaças que persistem.
Recentemente, o papel das mulheres na resistência mapuche tem sido objeto de maior atenção, com discussões sobre abusos e violência de gênero tornando-se mais comuns. A expulsão de um líder comunitário devido a atos violentos ilustra como as mulheres estão assumindo papéis proeminentes e promovendo transformações significativas dentro das suas comunidades. Melisa defende que o fortalecimento das identidades indígenas é crucial para a defesa do território e da natureza. Ela acredita que a luta por justiça social e ambiental deve ser uma responsabilidade coletiva, envolvendo todos os membros da comunidade e destacando a necessidade de romper com o silêncio em relação às identidades marginalizadas.
A resurgência mapuche representa uma resposta às opressões históricas sofridas pelo povo indígena, simbolizando um ato de resistência e esperança para o futuro.

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