Antes mesmo de começar a jornada de trabalho, milhões de brasileiros já enfrentam um fator que impacta diretamente o bem-estar: o deslocamento diário. O tempo gasto no trânsito e a imprevisibilidade dos trajetos transformaram a mobilidade em um dos principais fatores de desgaste da rotina urbana. Segundo estudo da Fundação Dom Cabral, moradores de grandes cidades passam, em média, 41 minutos por dia parados em congestionamentos, tempo que pode dobrar em metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro.
Os impactos vão além do tempo perdido. Estudos apontam que deslocamentos longos e sujeitos a congestionamentos frequentes estão associados ao aumento dos níveis de estresse, piora na qualidade do sono e redução da sensação de bem-estar. À medida que a saúde mental ganha espaço nas discussões sobre qualidade de vida, cresce também a percepção de que a forma como as pessoas se deslocam influencia diretamente a experiência ao longo do dia. Os efeitos, no entanto, não se limitam ao aspecto emocional. Segundo a Agência Europeia do Ambiente (EEA), a exposição prolongada à poluição sonora gerada pelos transportes contribui, todos os anos na União Europeia, para cerca de 66 mil mortes prematuras, 50 mil casos de doenças cardiovasculares e 22 mil casos de diabetes tipo 2, reforçando que os impactos da mobilidade também representam um desafio para a saúde pública.
Com isso, o próprio conceito de um bom deslocamento começou a mudar. Além de rápido e acessível, o trajeto passou a ser avaliado também pelo nível de previsibilidade, conforto e desgaste que impõe ao usuário. A dimensão do problema aparece nos números: pesquisa conduzida para a Escola do Parlamento de São Paulo mostra que 88% dos paulistanos afirmam sofrer com alguma forma de estresse e, entre eles, o trânsito é apontado como principal causador por 10,9%. Nesse cenário, alternativas capazes de reduzir o tempo de deslocamento e evitar parte dos congestionamentos ganharam relevância, especialmente nos percursos curtos que concentram boa parte da mobilidade cotidiana.

A última milha como ponto de virada
É nesse contexto que a micromobilidade passou a ocupar um papel mais estratégico na rotina das cidades. Inicialmente associadas ao lazer, as patinetes elétricas vêm sendo incorporadas aos deslocamentos cotidianos, especialmente para percursos curtos que conectam usuários ao transporte público ou reduzem o tempo gasto nos chamados trajetos de última milha.
Nas cinco capitais onde atua, a Whoosh observa um padrão consistente de uso: predominância de viagens de cerca de dois quilômetros, concentração da demanda nos horários de pico e aumento da frequência de utilização por usuário ao longo do tempo, principalmente em regiões com escritórios, comércio e proximidade de estações de transporte público. O cenário reflete uma mudança no comportamento dos usuários, que passaram a incorporar a micromobilidade à rotina de deslocamentos diários.
“Nos últimos anos, percebemos uma mudança importante no perfil de uso da micromobilidade. O que antes era mais associado ao lazer passou a fazer parte da rotina de deslocamento das pessoas. Hoje, observamos uma concentração de viagens nos horários de pico, em trajetos curtos, que ajudam a conectar os usuários ao transporte público e aos principais polos de trabalho”, afirma Cadu Souza, diretor de operações da Whoosh. “Em média, essas viagens têm cerca de dois quilômetros e duram aproximadamente 12 minutos, mostrando como pequenos deslocamentos podem fazer diferença na rotina de quem busca trajetos mais previsíveis.”
Mobilidade mais leve, rotina mais equilibrada
O crescimento do uso recorrente indica que a micromobilidade vem deixando de ser uma alternativa ocasional para se consolidar como parte da rotina urbana. Presente em São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis, Porto Alegre e Recife, a Whoosh já acumula mais de 10 milhões de viagens realizadas e cerca de 1,8 milhão de usuários cadastrados no Brasil, acompanhando uma transformação na forma como as pessoas realizam pequenos deslocamentos diários.
Se por muitos anos o debate sobre mobilidade urbana esteve centrado apenas em infraestrutura e tempo de viagem, hoje ele passa a incorporar também a qualidade da experiência de quem circula pelas cidades. Em um cenário em que bem-estar e saúde mental ganham cada vez mais relevância, reduzir o desgaste do deslocamento deixou de ser apenas uma questão de ganhar tempo. Ampliar as opções de mobilidade e integrar diferentes modais pode contribuir para uma rotina mais eficiente, previsível e equilibrada para milhares de pessoas.
Larissa Neiva 11992688246 [email protected]
