Edson José Bandeira Braga Filho reflete sobre espiritualidade, trabalho e liderança a partir de ensinamentos da tradição Sikh

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Para Edson Braga, princípios como trabalho honesto, serviço, igualdade e responsabilidade mostram que espiritualidade e vida empresarial não precisam ocupar espaços separados

A ideia de que espiritualidade pertence apenas aos momentos de oração, enquanto negócios, trabalho e decisões financeiras obedecem a uma lógica completamente diferente, é questionada por Edson José Bandeira Braga Filho, também conhecido como Edson Braga, em uma reflexão sobre fé, liderança, prosperidade e responsabilidade.

Ao observar princípios presentes na tradição Sikh, Edson destaca ensinamentos relacionados ao trabalho honesto, ao serviço, à partilha, à igualdade e à vida em comunidade como pontos capazes de provocar reflexões também no ambiente empresarial.

A proposta, segundo ele, não é explicar integralmente uma tradição religiosa complexa nem sugerir qualquer mudança de fé. O objetivo é reconhecer que diferentes caminhos espirituais podem oferecer aprendizados sobre questões humanas universais.

Para Edson Braga, existe valor em aproximar-se de outras tradições com respeito e disposição para aprender.

A principal reflexão surge justamente da tentativa de superar uma divisão comum: de um lado, os valores espirituais; do outro, as decisões da vida profissional.

A espiritualidade também pode estar presente no trabalho

Para Edson José Bandeira Braga Filho, uma espiritualidade verdadeiramente incorporada à vida não deveria desaparecer quando uma pessoa entra em uma empresa.

Valores podem ser demonstrados na maneira como alguém negocia.

Na forma como trata profissionais com menos poder.

No cumprimento de uma promessa.

Em uma decisão financeira difícil.

Na maneira como o dinheiro é conquistado.

E no comportamento adotado quando ninguém está observando.

Nesse sentido, espiritualidade não seria apenas aquilo que uma pessoa pratica quando interrompe sua rotina profissional.

Também poderia estar presente justamente na forma como ela trabalha.

Para Edson Braga, o verdadeiro teste de determinados valores pode acontecer muito mais em uma reunião difícil de segunda-feira do que em um discurso preparado sobre princípios.

O trabalho honesto como princípio

Entre os elementos da tradição Sikh que chamaram a atenção de Edson está a valorização do trabalho honesto.

A reflexão ganha importância no ambiente empresarial porque o dinheiro normalmente é analisado a partir da quantidade.

Quanto foi faturado?

Quanto cresceu?

Qual foi a margem?

Qual foi o retorno?

Mas existe outra dimensão.

Como aquele dinheiro foi conquistado?

Quais decisões foram tomadas para chegar ao resultado?

Quem foi respeitado durante o caminho?

Quais atalhos foram recusados?

Quais princípios foram preservados?

Segundo Edson José Bandeira Braga Filho, nem todo custo aparece na contabilidade.

Existem resultados financeiramente positivos que podem possuir um preço invisível para quem precisou abandonar valores para alcançá-los.

Da mesma maneira, determinados resultados podem parecer menores em uma demonstração financeira, mas permitir que as pessoas responsáveis por eles preservem algo fundamental: a capacidade de reconhecer seus próprios princípios naquilo que construíram.

A mesa como símbolo de igualdade

Outro elemento destacado por Edson Braga é o langar, prática comunitária associada aos gurdwaras Sikhs, em que pessoas de diferentes origens compartilham alimento.

Na reflexão apresentada pelo empresário, a imagem da mesa funciona também como uma referência sobre dignidade e igualdade.

Empresas precisam de hierarquias.

Existem cargos, diferentes responsabilidades, salários, funções e níveis de autoridade.

Tudo isso pode ser necessário para organizar uma instituição.

O problema surge quando hierarquia funcional passa a ser confundida com superioridade humana.

Para Edson, um CEO possui responsabilidades diferentes das de outros colaboradores.

Isso não significa possuir maior dignidade.

Um fundador pode deter maior poder de decisão.

Isso também não o torna mais humano do que qualquer outra pessoa da organização.

Nesse sentido, uma das formas mais claras de observar o caráter de um líder talvez esteja na maneira como ele trata alguém de quem não precisa.

É relativamente simples respeitar pessoas poderosas.

Mais revelador é o comportamento diante de quem não possui cargo, influência ou possibilidade de oferecer vantagens.

Servir também pode ser uma forma de liderar

A ideia de serviço, associada no texto ao conceito de seva, também provoca uma reflexão sobre liderança.

No imaginário tradicional, o líder seria aquele que manda enquanto os demais executam.

Edson Braga propõe outro olhar.

Servir não significa ausência de autoridade.

Também não representa fraqueza ou falta de capacidade para estabelecer limites.

Dentro de uma organização, servir pode significar utilizar poder e posição para criar condições para que outras pessoas cresçam.

Dar direção.

Remover obstáculos.

Ensinar.

Cobrar resultados.

Formar pessoas.

Reconhecer mérito.

Proteger valores.

Criar oportunidades.

Para Edson José Bandeira Braga Filho, talvez liderança não deva significar apenas utilizar pessoas para alcançar objetivos.

Pode representar a construção de objetivos importantes o suficiente para permitir que outras pessoas também se desenvolvam durante o processo.

Crescer mais rápido ou crescer inteiro?

Toda trajetória empresarial apresenta decisões que não podem ser analisadas apenas financeiramente.

Uma oportunidade pode ser extremamente lucrativa.

Um negócio pode permitir crescimento acelerado.

Uma negociação pode oferecer vantagens importantes.

Mas algumas dessas situações também podem exigir concessões incompatíveis com aquilo que o líder afirma valorizar.

Segundo Edson Braga, é nesses momentos que os princípios deixam de ser apenas conceitos e passam a ser testados.

Ele propõe uma pergunta:

É melhor crescer mais rápido ou crescer inteiro?

Idealmente, empresas e pessoas desejariam as duas coisas.

Mas nem sempre será possível.

Quando surge a necessidade de escolher entre resultado e princípio, pode aparecer a verdadeira dimensão daquilo que uma organização acredita.

Para Edson, um princípio que nunca produziu qualquer custo talvez ainda não tenha sido realmente colocado à prova.

Poder externo não garante liberdade interior

Outro ponto da reflexão envolve o significado de poder.

Empreendedores normalmente buscam autonomia.

Desejam construir, decidir, criar e reduzir dependências.

Mas existe uma contradição possível.

Uma pessoa pode conquistar grande poder externo e continuar profundamente dependente de forças internas.

Reconhecimento.

Dinheiro.

Comparação.

Necessidade de vencer.

Medo de perder.

Opinião alheia.

Ou até a própria empresa.

Para Edson José Bandeira Braga Filho, controlar uma grande organização não significa necessariamente possuir controle sobre a própria vaidade, ansiedade ou necessidade de aprovação.

Da mesma forma, liberdade financeira não garante liberdade emocional.

Uma pessoa pode possuir recursos suficientes para escolher praticamente qualquer caminho e continuar presa à necessidade de demonstrar constantemente o próprio sucesso.

Por isso, liberdade externa e liberdade interna representam conquistas diferentes.

Crescimento amplia aquilo que já existe

Para Edson Braga, prosperidade, dinheiro e influência não transformam automaticamente uma pessoa em alguém melhor.

Em muitos casos, apenas ampliam características que já estavam presentes.

Se existe generosidade, mais recursos podem aumentar a capacidade de ajudar.

Se existe consciência, mais poder pode ampliar o impacto positivo.

Mas, se existe ego sem limites, o crescimento também pode aumentar esse ego.

Se existe insegurança, a autoridade pode transformar-se em controle excessivo.

Se existe vaidade, o sucesso pode alimentá-la.

Nesse sentido, crescer também funciona como teste.

A questão deixa de ser apenas quanto uma pessoa consegue carregar.

Passa a ser quem ela se torna quando recebe mais dinheiro, autoridade e influência.

O verdadeiro teste pode acontecer na segunda-feira

Edson José Bandeira Braga Filho utiliza a segunda-feira como uma imagem para representar o encontro entre espiritualidade e realidade.

É relativamente simples defender valores em ambientes tranquilos.

O desafio aparece quando o caixa está apertado.

Quando um funcionário importante erra.

Quando uma negociação lucrativa exige uma concessão moral.

Quando existe cansaço.

Quando ninguém descobriria se determinado atalho fosse escolhido.

Ou quando alguém possui poder suficiente para impor uma decisão, mas ainda pode optar pelo diálogo.

Para Edson Braga, talvez seja justamente nesses momentos que a vida comum se transforme em uma espécie de espaço de prática espiritual.

São decisões invisíveis.

Ninguém fotografa.

Ninguém aplaude.

Mas elas ajudam a definir quem uma pessoa está se tornando.

Aprender com outras tradições sem abandonar a própria fé

Outro aspecto destacado por Edson é a possibilidade de aprender com diferentes caminhos espirituais e filosóficos sem precisar abandonar a própria tradição.

É possível conhecer princípios presentes no Sikhismo, Cristianismo, Judaísmo, Budismo, Islamismo e em outras correntes de pensamento e perguntar com humildade quais ensinamentos sobre a condição humana podem ser encontrados nesses caminhos.

Para Edson Braga, reconhecer sabedoria em uma tradição diferente não significa concordar com todos os seus elementos.

Representa disposição para aprender.

Essa postura também pode ajudar líderes e empreendedores a desenvolver uma visão menos fechada sobre pessoas, culturas e formas diferentes de compreender a existência.

O que a empresa está construindo dentro de quem a lidera?

Ao final da reflexão, Edson José Bandeira Braga Filho retorna a uma questão presente em diferentes aspectos de sua visão sobre empreendedorismo.

Empresas são construídas para produzir resultados.

Produtos.

Serviços.

Empregos.

Lucro.

Valor.

Mas, ao mesmo tempo, também produzem transformações em quem participa de sua construção.

Por isso, a pergunta não deveria ser apenas o que uma empresa está produzindo para o mercado.

Também deveria incluir:

O que esse negócio está produzindo dentro de mim?

A pessoa está se tornando mais consciente ou mais ansiosa?

Mais generosa ou mais egoísta?

Mais livre ou mais dependente?

Mais presente ou mais ausente?

Mais humana ou apenas mais eficiente?

Para Edson Braga, construir empresas não deveria exigir que o empreendedor deixe seus valores do lado de fora.

Talvez espiritualidade seja justamente a capacidade de entrar no mundo, trabalhar, prosperar, liderar, ganhar dinheiro e enfrentar dificuldades sem abandonar aquilo que considera sagrado.

O verdadeiro teste pode estar na vida comum.

Na palavra cumprida.

No dinheiro conquistado de maneira honesta.

No poder utilizado com responsabilidade.

Na mesa onde diferentes pessoas continuam sendo tratadas com dignidade.

Porque, no fim, talvez não exista uma separação absoluta entre aquilo que alguém afirma ser espiritualmente e aquilo que demonstra quando faz negócios.

Existe apenas uma pessoa, revelada diariamente pelas escolhas que faz quando ninguém está olhando.

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