A Central Operária Boliviana (COB) denunciou que o governo da Bolívia estaria conduzindo ações secretas para desmantelar as mobilizações populares, caracterizando a situação como uma verdadeira ‘caçada humana’ direcionada aos seus líderes. A acusação surgiu após a prisão preventiva de Justino Apaza, um proeminente líder comunitário de La Paz, que foi encarcerado por um período de 180 dias. Seus familiares afirmam que a detenção ocorreu de forma violenta em sua casa, sem que houvesse ordem judicial apresentada.
As manifestações, que começaram no dia 1º de maio com a reivindicação de um aumento salarial de 20% rejeitado pelo governo, se transformaram em um movimento mais abrangente exigindo a renúncia do presidente Rodrigo Paz. A prisão de Apaza agravou a insatisfação entre os sindicatos, já fortalecida pelo apoio de várias organizações sociais.
O Ministério Público formulou acusações contra Apaza, imputando-lhe crimes como instigação pública à delinquência, associação criminosa, terrorismo e atentados à segurança pública. Além dele, foram temporariamente detidas Simona Quispe, ex-senadora ligada ao ex-presidente Evo Morales, e Yesenia Vargas, secretária da Federação Cocalera Carrasco. Enquanto Quispe foi libertada pela falta de evidências concretas, Vargas declarou antes da prisão que não permitiria o contínuo saque do país por parte do governo.
Em meio a essa conjuntura tensa, o Senado boliviano aprovou um Projeto de Lei que regulamenta o Estado de Exceção, agora enviado para apreciação na Câmara dos Deputados. Críticos da proposta alertam que essa nova legislação pode agravar a repressão contra manifestantes e bloqueadores das estradas.
As mobilizações resultaram em 80 pontos de bloqueio espalhados por seis departamentos, sendo Cochabamba o mais impactado. O fechamento prolongado das vias provocou uma escassez crítica de suprimentos, afetando severamente o transporte de combustíveis, alimentos e insumos médicos em cidades como La Paz e El Alto. De acordo com a Câmara Nacional de Indústrias, esse conflito já acarretou perdas estimadas em dois bilhões de dólares para o setor industrial.
Para informações adicionais, consulte a reportagem completa da teleSUR.

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