A cibersegurança deixou de ser uma preocupação exclusiva de grandes corporações e passou a fazer parte da rotina de empresas de todos os portes. Com a digitalização dos negócios, o uso de sistemas em nuvem, redes sociais, plataformas de pagamento, ferramentas de inteligência artificial e atendimento online, os riscos digitais cresceram de forma significativa.
Segundo Luiz Gustavo Mori, especialista em tecnologia, muitas empresas brasileiras ainda tratam a segurança digital como um assunto secundário, quando, na verdade, ela deveria estar no centro da estratégia empresarial.
“A empresa que depende da internet para vender, atender, armazenar dados ou se comunicar também depende da cibersegurança para continuar funcionando. Segurança digital não é custo, é proteção do negócio”, afirma Luiz Gustavo Mori.
O crescimento dos riscos digitais nas empresas
A transformação digital trouxe inúmeros benefícios para as empresas brasileiras, mas também ampliou a exposição a ameaças virtuais. Hoje, um simples clique em um link falso, uma senha fraca ou um sistema desatualizado pode abrir espaço para ataques capazes de comprometer dados, prejudicar operações e afetar a reputação de uma marca.
O relatório global da IBM sobre custo de violações de dados em 2025 aponta que o custo médio mundial de uma violação chegou a US$ 4,44 milhões. O estudo também chama atenção para os riscos ligados à adoção rápida de inteligência artificial sem segurança e governança adequadas.
Para Luiz Gustavo Mori, esse cenário mostra que a cibersegurança precisa ser vista como parte da gestão.
“Não basta ter tecnologia. É preciso ter controle, política interna, treinamento e responsabilidade. Muitas empresas investem em sistemas modernos, mas esquecem de proteger o básico”, explica.
Phishing: o golpe que ainda causa grandes prejuízos
Um dos riscos digitais mais comuns para empresas é o phishing. Esse tipo de golpe ocorre quando criminosos tentam enganar usuários por meio de e-mails, mensagens, sites falsos ou links maliciosos para obter senhas, dados bancários, informações corporativas ou acesso a sistemas internos.
De acordo com a Cartilha de Segurança para Internet do CERT.br, phishing é uma fraude usada para tentar obter dados pessoais e financeiros por meio de mensagens falsas e técnicas de engano.
Nas empresas, esse golpe pode aparecer em mensagens que simulam bancos, fornecedores, plataformas de pagamento, órgãos públicos, serviços de nuvem ou até mesmo comunicados internos falsos.
Segundo Luiz Gustavo Mori, o phishing continua perigoso porque explora o comportamento humano.
“O criminoso muitas vezes não precisa quebrar um sistema sofisticado. Ele apenas convence alguém a clicar em um link ou informar uma senha. Por isso, treinamento e conscientização são fundamentais”, destaca.
Ransomware: quando os dados da empresa são sequestrados
O ransomware é uma das ameaças mais graves para empresas. Nesse tipo de ataque, criminosos bloqueiam ou criptografam arquivos e sistemas, exigindo pagamento para liberar o acesso.
O CERT.br define ransomware como um código malicioso que torna dados inacessíveis, geralmente usando criptografia, e exige pagamento de resgate para restabelecer o acesso.
Esse tipo de ataque pode paralisar operações, impedir o atendimento a clientes, bloquear sistemas financeiros, comprometer documentos internos e gerar prejuízos severos.
Para Luiz Gustavo Mori, empresas que não fazem backup adequado estão entre as mais vulneráveis.
“Uma empresa sem backup seguro fica refém do ataque. O ransomware mostra como a falta de prevenção pode transformar um problema técnico em uma crise operacional e financeira”, afirma.
Senhas fracas e credenciais vazadas
Senhas fracas continuam sendo uma das principais portas de entrada para ataques digitais. Muitos colaboradores ainda usam combinações simples, repetem a mesma senha em vários serviços ou compartilham acessos sem controle.
Quando uma credencial é vazada, criminosos podem acessar e-mails corporativos, sistemas internos, redes sociais, plataformas financeiras e bancos de dados.
Segundo Luiz Gustavo Mori, a gestão de acessos precisa ser tratada com seriedade.
“Senha não pode ser vista como detalhe. Uma senha fraca pode comprometer toda a empresa. O ideal é usar autenticação em dois fatores, senhas fortes, controle de permissões e revisão periódica dos acessos”, orienta.
Vazamento de dados e impactos na reputação
Empresas armazenam dados de clientes, colaboradores, fornecedores e parceiros. Quando essas informações são expostas, o impacto pode ir além do prejuízo financeiro. Há também danos à credibilidade, perda de confiança e possíveis consequências jurídicas.
Com a Lei Geral de Proteção de Dados, a proteção das informações passou a ser uma obrigação ainda mais relevante para organizações brasileiras.
Para Luiz Gustavo Mori, o vazamento de dados é um dos riscos mais sensíveis porque atinge diretamente a imagem da empresa.
“Quando uma empresa perde dados, ela também perde confiança. O cliente quer saber se suas informações estão protegidas. Uma falha de segurança pode afetar anos de construção de reputação”, analisa.
Sistemas desatualizados e vulnerabilidades
Outro risco comum está no uso de sistemas, plugins, servidores e softwares desatualizados. Atualizações costumam corrigir falhas de segurança, e ignorá-las pode deixar brechas abertas para invasores.
Isso é especialmente importante para empresas que utilizam sites, lojas virtuais, sistemas de gestão, plataformas WordPress, plugins de terceiros e aplicações próprias.
Segundo Luiz Gustavo Mori, a manutenção técnica deve fazer parte da rotina empresarial.
“Muitas invasões acontecem por falhas conhecidas, que já tinham correção disponível. A empresa precisa criar uma cultura de atualização, monitoramento e manutenção constante”, afirma.
Engenharia social e manipulação de colaboradores
Nem todo ataque depende de vírus ou códigos complexos. Em muitos casos, criminosos usam engenharia social para manipular pessoas e obter informações privilegiadas.
Isso pode acontecer por telefone, WhatsApp, e-mail, redes sociais ou até perfis falsos se passando por clientes, diretores, fornecedores ou colegas de trabalho.
Para Luiz Gustavo Mori, esse é um dos riscos mais difíceis de combater porque envolve comportamento humano.
“A segurança digital não está apenas no computador. Ela está nas decisões das pessoas. Um colaborador bem treinado pode impedir um ataque antes mesmo que ele comece”, afirma.
Ataques a e-mails corporativos
O e-mail ainda é uma ferramenta central nos negócios, mas também uma das principais vias de ataque. Invasores podem usar contas comprometidas para enviar cobranças falsas, alterar dados bancários, roubar documentos ou enganar clientes e fornecedores.
Esse tipo de golpe pode causar prejuízos financeiros diretos e afetar a confiança entre empresas e parceiros.
Segundo Luiz Gustavo Mori, proteger o e-mail corporativo deve ser prioridade.
“O e-mail é uma porta de entrada crítica. Empresas precisam ativar autenticação em dois fatores, usar filtros de segurança, treinar equipes e monitorar acessos suspeitos”, recomenda.
Riscos no trabalho remoto
O trabalho remoto ampliou a flexibilidade das empresas, mas também criou novos desafios de segurança. Colaboradores podem acessar sistemas corporativos por redes domésticas, computadores pessoais ou conexões inseguras.
A Cartilha do CERT.br sobre trabalho remoto alerta que o aumento desse modelo atraiu a atenção de atacantes para o ambiente do usuário, com o objetivo de ganhar acesso a redes e sistemas corporativos.
Para Luiz Gustavo Mori, empresas devem criar políticas claras para acesso remoto.
“O trabalho remoto precisa de regras. VPN, autenticação forte, dispositivos protegidos e orientação aos colaboradores são medidas importantes para reduzir riscos”, explica.
Inteligência artificial também traz novos desafios
A inteligência artificial tem ajudado empresas a automatizar processos, produzir conteúdo, analisar dados e melhorar o atendimento. No entanto, também cria novos riscos.
Entre eles estão o uso indevido de dados sensíveis em ferramentas externas, criação de golpes mais convincentes com IA, deepfakes, mensagens falsas personalizadas e falta de governança sobre o uso dessas plataformas.
O relatório da IBM de 2025 destaca que a adoção de IA sem governança pode aumentar riscos de violação e custos para organizações.
Segundo Luiz Gustavo Mori, a IA precisa ser usada com responsabilidade.
“A inteligência artificial é uma ferramenta poderosa, mas empresas não podem inserir informações confidenciais em qualquer plataforma sem avaliar segurança, privacidade e política de uso. A inovação precisa caminhar junto com proteção”, alerta.
Pequenas empresas também são alvos
Muitos pequenos empresários acreditam que ataques digitais atingem apenas grandes empresas. Esse é um erro perigoso. Pequenos negócios também armazenam dados, usam contas bancárias, vendem online, têm redes sociais e dependem de sistemas digitais.
Além disso, pequenas empresas muitas vezes possuem menos estrutura de segurança, tornando-se alvos mais fáceis.
Para Luiz Gustavo Mori, a cibersegurança deve ser proporcional ao tamanho do negócio, mas nunca ignorada.
“Mesmo uma pequena empresa precisa proteger senhas, fazer backup, atualizar sistemas e orientar sua equipe. Segurança digital básica já reduz muitos riscos”, afirma.
Como as empresas podem se proteger
A proteção digital exige um conjunto de medidas técnicas, organizacionais e humanas. Não existe uma solução única, mas sim uma cultura de segurança contínua.
Entre as principais ações recomendadas estão:
Usar senhas fortes e autenticação em dois fatores;
Manter sistemas, plugins e softwares atualizados;
Fazer backups frequentes e seguros;
Treinar colaboradores contra golpes digitais;
Controlar permissões de acesso;
Usar antivírus e ferramentas de monitoramento;
Criar políticas internas de segurança;
Evitar compartilhamento de senhas;
Proteger redes Wi-Fi;
Monitorar acessos suspeitos;
Ter plano de resposta a incidentes;
Avaliar fornecedores e plataformas digitais.
Segundo Luiz Gustavo Mori, o primeiro passo é reconhecer que a segurança digital faz parte da sobrevivência do negócio.
“Cibersegurança não é apenas uma área técnica. Ela envolve gestão, pessoas, processos e cultura. Empresas que entendem isso conseguem se proteger melhor e responder mais rápido quando algo acontece”, conclui.
Conclusão
Os principais riscos digitais para empresas envolvem phishing, ransomware, vazamento de dados, senhas fracas, sistemas desatualizados, engenharia social, ataques a e-mails corporativos, falhas no trabalho remoto e uso inadequado de inteligência artificial.
Na visão de Luiz Gustavo Mori, a cibersegurança precisa ser tratada como prioridade estratégica. Em um ambiente empresarial cada vez mais conectado, proteger dados, sistemas e pessoas é fundamental para manter a operação, a reputação e a confiança dos clientes.
Empresas que investem em segurança digital não estão apenas evitando ataques. Elas estão fortalecendo sua estrutura para crescer de forma mais segura, profissional e competitiva.
