A Shuanglin Group, uma empresa chinesa especializada na fabricação de autopeças, apresentou um inovador caminhão de mineração autônomo com capacidade quase de 100 toneladas. O veículo, que tem a habilidade de se mover lateralmente como um caranguejo e girar em torno de seu próprio eixo, foi revelado em um evento realizado em Xangai.
Denominado Shuanglin K7, este caminhão é reconhecido como o primeiro do mundo a combinar direção autônoma com propulsão elétrica distribuída. Essa tecnologia inovadora possibilita manobras em locais apertados, algo que até então não era viável para veículos dessa dimensão.
Medindo mais de cinco metros de altura e largura e com 13,79 metros de comprimento, o K7 possui um sistema drive-by-wire que controla individualmente cada uma das rodas. Esse sistema elimina a necessidade de eixos tradicionais e permite que o veículo tenha um raio de giro praticamente nulo.
A criação do K7 é resultado da colaboração entre a Shuanglin Group e a Universidade Tsinghua, refletindo a estratégia da China em integrar pesquisa acadêmica com aplicação industrial para fomentar inovações tecnológicas.
Informações apontam que cada roda do caminhão é equipada com um módulo elétrico independente, o que garante tração contínua em terrenos difíceis e rampas acentuadas onde veículos convencionais poderiam falhar. Isso representa uma melhoria significativa para operações em minas a céu aberto, onde caminhões tradicionais precisam de grandes espaços para manobras após o carregamento, aumentando assim os riscos operacionais.
O K7 pode deslizar lateralmente ou girar no mesmo lugar, resultando em maior eficiência no tempo de operação e na redução do consumo energético. Além disso, conta com baterias de alta capacidade e sistemas redundantes de sensoriamento que permitem funcionamento ininterrupto por até 24 horas com pouca necessidade de supervisão humana. Essa característica é particularmente importante diante da crescente falta de mão de obra qualificada no setor.
Os desenvolvedores prevêem que a implementação do K7 poderá reduzir os custos com transporte interno em até 15%. A substituição dos motores a diesel pela propulsão elétrica também contribui para a diminuição das emissões de CO₂, alinhando-se às metas globais de sustentabilidade.
Essa inovação acontece enquanto Pequim avança na digitalização do setor extrativo, promovendo a instalação de redes 5G nas minas e oferecendo incentivos financeiros para projetos que aprimorem segurança, produtividade e autonomia tecnológica.
Cabe ressaltar que empresas internacionais como Vale e Rio Tinto já estão testando frotas autônomas; no entanto, muitas delas dependem da tecnologia desenvolvida por conglomerados ocidentais. Em contraste, a China está progredindo com uma solução totalmente integrada que é projetada e fabricada internamente.
Especialistas em automação acreditam que a tração independente por roda pode tornar os designs tradicionais obsoletos nos próximos anos. Essa tecnologia tem potencial para ser aplicada também em perfuratrizes, carregadeiras e caminhões utilizados em longas distâncias.
Com o lançamento do Shuanglin K7, a China reafirma sua liderança na inovação na robótica pesada voltada para mineração. O país mostra interesse em compartilhar essa tecnologia com nações parceiras, desafiando assim o histórico domínio dos fabricantes dos EUA e Europa.
Com informações de SCMP.
Leia também: China multiplica centros de treinamento de robôs humanoides e acelera nova fase da automação industrial
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